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Um ano após campanha acirrada, Witzel e DEM ensaiam cessar-fogo

Quase um ano depois de uma campanha com troca de acusações pesadas entre o governador Wilson Witzel , do PSC, e Eduardo Paes , do DEM, está em curso uma aproximação entre os dois partidos que visa a um cessar-fogo nas eleições municipais do ano que vem. Paes é um potencial candidato a um terceiro mandato como prefeito, e Witzel, até o momento, ainda não tem um nome para disputar a sucessão de Marcelo Crivella (PRB).

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é o principal articulador do movimento de aproximação entre seu partido e o PSC. O acordo que beneficiou o Rio na distribuição de recursos do megaleilão do pré-sal , fechado na semana passada, foi costurado pelo próprio com Witzel. Ao mesmo tempo, o DEM negocia, como antecipou a colunista Berenice Seara, do “Extra”, assumir a Secretaria de Obras no governo do Rio, pasta com capilaridade e orçamento para um partido que sempre esteve acostumado a estar presente na máquina pública da prefeitura ou do estado.

— Achamos que o governo Witzel tem um caminho para dar certo no Rio na área de segurança — disse Maia, na semana passada, em tom completamente diferente do adotado na campanha de 2018 pelo DEM.

No ano passado, Witzel foi acusado por Paes de envolvimento com o empresário Mario Peixoto, ligado ao ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Jorge Picciani (MDB) e acusado de corrupção por Jonas Lopes, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Despachando diariamente na empresa chinesa de veículos elétricos BYD, na Praça Mauá, no Centro do Rio, Paes há tempos não é um opositor de Witzel — seu foco é a oposição a Crivella nas redes. Embora ainda não admita a candidatura em 2020, o ex-prefeito continua com encontros políticos e recebendo pesquisas eleitorais.

— Estou feliz, mas com menos tesão. Queria muito mais estar enfrentando os desafios da segurança pública do estado. É ótimo ganhar bom salário, mas tenho uma vocação — disse há duas semanas, em rara entrevista, ao canal Política Etílica, no YouTube.

Depois de ser derrotado nas disputas de 2016, com o revés do deputado federal Pedro Paulo, então no MDB, e, em 2018, Paes teme um novo resultado negativo. O ex-prefeito ainda tem dúvidas se a onda de renovação na política continuará (e, por isso, não ter o governador como opositor seria útil). Durante a campanha, Witzel insistiu muitas vezes na confissão de recebimento de propina feita por Alexandre Pinto, ex-secretário de Paes, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas. Paes já decidiu que anunciará a opção por concorrer ou não logo no início do ano que vem, e não mais às vésperas da campanha.

Para Witzel, a aproximação com o DEM significa três vitórias: ter interlocução com o presidente da Câmara dos Deputados, fundamental na tarefa de conseguir recursos para o estado; ampliar a base na Alerj, onde a articulação política do governo de vez em quando patina; e tentar se vincular a um projeto próprio para a prefeitura distante do bolsonarismo, a quem Witzel ensaia enfrentar em 2022 com uma candidatura presidencial.

Até o fim do primeiro semestre, o deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL) era o nome mais cotado para Witzel apoiar. Embora tenha sido lançado pré-candidato pelo senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Amorim não é querido pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC) e terá dificuldades para se viabilizar como o candidato da família no ano que vem. Dentro do governo Witzel, dois secretários tentam se cacifar para a disputa: Cleiton Rodrigues, de Governo, e Pedro Fernandes, de Educação. Devido ao desconhecimento da população e à falta de suporte político de ambos, o plano de ficar neutro ou até mesmo apoiar Paes não é descartado por Witzel.

 

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