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Siderúrgicas podem diminuir produção

Com a parada de produção de montadoras, fabricantes de máquinas e equipamentos e obras da construção civil em razão da pandemia do novo coronavírus, siderúrgicas brasileiras podem ter que reduzir a produção de aço. Esses setores representam 78% do consumo de produtos siderúrgicos no Brasil, segundo o Instituto Aço Brasil (IABR).

A parada de altos-fornos já aconteceu na Europa devido à paralisação da produção das montadoras. No Brasil, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) ainda mantém ritmo normal sua usina em Volta Redonda (RJ). A operação está sendo mantida pelos contratos anteriores à parada de alguns clientes. A empresa, que monitora a situação, deve decidir em breve se mantém ou não os altos-fornos ligados, apurou o Valor.

A Usiminas diz que adota medidas de segurança para os funcionários e para assegurar a continuidade de suas operações essenciais. A empresa informou aos investidores que concedeu férias coletivas à parte do efetivo Usiminas Mecânica e Soluções Usiminas. Em fato relevante, divulgou ainda o aporte, em até 30 dias, de R$ 394 milhões em seu caixa, originário de acordo com a Previdência Usiminas. A empresa já havia informado que espera uma queda em suas vendas nos próximos meses.

“A Usiminas reitera que as incertezas que ainda persistem relativas à evolução da disseminação do novo coronavírus, tornam impossível, neste momento, prever o impacto geral da pandemia sobre a economia global e sobre as operações da companhia. A Usiminas segue avaliando permanentemente os impactos da situação e qualquer desdobramento futuro para suas operações será prontamente informado ao mercado e demais interessados”, informou na nota.

Já a Gerdau tomou medidas mais drásticas em outros países em que opera. Fez fechamento das unidades do Peru, Argentina e a de aços especiais nos EUA. “Nossas operações no Peru e na Argentina encontram-se totalmente suspensas, devido a decisões tomadas pelos respectivos Governos Federais, que declararam estado de emergência nacional em ambos os países. Nos Estados Unidos, as operações industriais de Aços Especiais encontram-se paralisadas, em virtude da desaceleração do setor automotivo. Entregas de produtos para nossos clientes serão mantidas conforme necessidade dos mesmos”, informou a companhia.

No Brasil, a Gerdau informou que já sentiu um impacto nas operações devido a decisões de alguns estados de implantarem leis de quarentena. “Abastecimento do mercado tem sido feito normalmente respeitando as restrições impostas por tais leis.” Segundo a empresa, os investimentos previstos para 2020 estão sendo “cuidadosamente postergados globalmente.” A Gerdau informou também que a forte posição de caixa, de R$ 6,3 bilhões, sendo 52% em dólares, e a disponibilidade de linhas de crédito compromissadas de R$ 4 bilhões, lhe dão preparo para enfrentar essa volatilidade.

O presidente executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, disse que para superar essa crise e preservar os empregos, as siderúrgicas têm que assegurar uma operação mínima nas usinas. “Não podemos parar um alto-forno e depois religá-lo. Isso demora meses. Então, temos que achar uma alternativa para manter um grau de utilização mínima da capacidade para que os equipamentos não sejam prejudicados”, disse o Mello Lopes.

Uma das formas, disse ele, é a abertura de mercado para o aço brasileiro. “Se a demanda no mercado interno está em queda, a alternativa é a exportação, mas para isso o setor industrial, em especial as siderúrgicas, tem que ser competitivo e o governo pode instaurar o Reintegra de 5%”, afirmou.

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