SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

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Servidores rebatem Paulo Guedes, que comparou funcionários públicos a ‘parasitas’

O ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou servidores públicos de estados em crise a “parasitas”. Ontem, durante evento na Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio, Guedes disse que os funcionários já têm estabilidade e “aposentadoria generosa”, mas que mesmo assim insistem em reajustes salariais.

— O funcionalismo teve aumento 50% acima da inflação. Além disso, tem estabilidade na carreira e aposentadoria generosa. O hospedeiro está morrendo, o cara (servidor) virou um parasita. O dinheiro não chega no povo e ele (servidor) quer reajuste automático — disse Guedes.

Pouco tempo depois, o Ministério da Economia disse que as declarações de Guedes foram “tiradas de contexto” e que o ministro “reconhece a elevada qualidade do quadro de servidores”. A pasta enviou uma nota na qual alegou que o ministro defendia a importância da reforma administrativa, que será enviada semana que vem pelo governo.

“O ministro defendeu uma reforma administrativa que corrija distorções sem tirar direitos constitucionais dos atuais servidores. O ministro lamenta profundamente que sua fala tenha sido retirada de contexto pela imprensa, desviando o foco do que é realmente importante no momento: transformar o Estado brasileiro para prestar melhores serviços ao cidadão”, informou a nota.

A retratação não foi suficiente para reduzir a indignação do funcionalismo público. Miguel Pinho, professor de Geografia da rede municipal do Rio, disse que a fala do ministro é fruto de desconhecimento sobre a categoria.

— É um completo desconhecimento do funcionalismo público no Brasil, além de ser uma inverdade. A maioria dos servidores ganha pouco, salários abaixo de R$ 2 mil, por exemplo. Não se compara com o salário dos ministros — desabafou o professor.

A assistente de saúde do Instituto Nacional do Câncer (Inca) Rosana Pereira também se sentiu ofendida com a declaração do ministro:

— Ele deveria conhecer os fatos. Eu tenho 37 anos de profissão e as carências no setor são muitas. O funcionário muitas vezes ajuda o paciente com o salário dele. Generalizar é fácil, mas a realidade é outra.

A enfermeira do Inca Aline Souza também se disse indignada com a declaração, mas não surpresa. Segundo ela, o clima no hospital em que trabalha é tenso por conta da desvalorização da categoria:

— Temos uma carga de trabalho muito pesada. Pessoas morrendo por conta da lentidão do Sistema Nacional de Regulação. A gente se dedica de verdade e cumpre a carga horária. Escutar isso é um desrespeito.

Na tarde deste sábado, por meio de nota, o Inca ressaltou que as opiniões dos servidores não refletem um posicionamento institucional.

Entidades que representam servidores também criticaram o comentário do ministro. A Associação Nacional de Auditores Fiscais da Receita federal (Unafisco Nacional), em nota, repudiou a declaração de Guedes:

“Se partilhássemos da descompostura do ministro, poderíamos compará-lo a um serviçal do mercado, que promove a falência do Estado em detrimento do povo brasileiro”. Para a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), “as provocações e ofensas do ministro só reforçam o seu despreparo em lidar com os desafios do setor público”. A entidade quer uma audiência pública com Guedes e espera ser recebida para discutir questões relativas ao setor público.

Para o Sepe, trata-se de ‘cortina de fumaça’

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ (Sepe/RJ) disse, em nota, que Guedes, “ao invés de atacar gratuitamente os servidores, deveria cuidar melhor da economia brasileira, que se mantém com mais de 12 milhões de desempregados, 41 milhões de trabalhadores informais e 7 milhões de subocupados – números explosivos e terríveis que comprovam a desastrosa política econômica de Guedes/Bolsonaro”.

“A verdade é que ele tenta culpar um segmento da sociedade, os servidores públicos, tenta jogar uma cortina de fumaça para tapar a incompetência e o cinismo próprio de pessoas autoritárias. Nenhum país é soberano e justo para com a sua população sem os serviços públicos essenciais”, afirmou a nota do Sepe.

André Ferraz, diretor-presidente da Associação dos Servidores da Vigilância Sanitária do Estado do Rio de Janeiro (Asservisa), afirmou que essa é a fala de um cidadão, no mínimo mal intencionado.

— O Brasil precisa do servidor público pois é o elemento fundamental que garante a efetividade de todas as políticas públicas. E uma crítica vazia como essa também pode ser feita a agentes públicos de livre nomeação que não sabem nada, que não têm competência para o exercício do cargo que ocupam — opinou.

O Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio (Sisejufe) também criticou a declaração de Guedes. Segundo a entidade, “o ministro, além de fazer um comentário desrespeitoso, incompatível ao cargo, demonstra má-fé e desconhecimento quanto à realidade do funcionalismo público.”

 

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