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Serviços confirmam recuperação, mas ritmo de melhora é mais lento

A reação gradual dos serviços persistiu em agosto e não mudou a percepção de que a economia teve desempenho favorável no terceiro trimestre, mas a visão mais otimista está relacionada ao comportamento do varejo e da indústria no período.

Segundo economistas, a alta de 2,9% do volume prestado de serviços frente a julho, feitos os ajustes sazonais, ainda reflete um quadro de restrições ao funcionamento de muitas atividades e receio das famílias devido à covid-19, conjuntura que deve seguir segurando a velocidade da retomada do setor nos próximos meses.

Divulgada ontem pelo IBGE, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrou que o segmento cresceu em relação ao mês imediatamente anterior pela terceira vez seguida. Mesmo assim, ele ainda está 9,8% abaixo do patamar de fevereiro, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). No varejo, esse nível já foi superado em agosto, enquanto a indústria ficou 2,6% aquém do volume de produção anterior à pandemia.

O levantamento dos serviços apontou também comportamento heterogêneo nos subsetores, notou a pesquisadora Luana Miranda, do Ibre/FGV. Nenhum dos cinco ramos de atividade pesquisados recuperou as perdas acumuladas durante a crise atual. Na comparação com julho, o destaque positivo foi o aumento de 33,3% dos serviços prestados às famílias, mas os demais tiveram alta mais modesta, enquanto o setor de informação e comunicação, em que está inserido o ramo de TI, caiu 1,4%.

Para Rodrigo Lobo, gerente da PMS, apesar dessa queda, esse é o setor que tem maior probabilidade de recompor o volume perdido na crise, em razão do dinamismo dos serviços de tecnologia, pouco afetados pela pandemia. Em relação a fevereiro, o segmento de informação e comunicação recuou apenas 2,5%, destacou.

O setor de serviços como um todo, contudo, não deve eliminar as perdas da recessão em 2020, mesmo com a flexibilização das medidas de isolamento social, ponderou Lobo. “A recuperação ainda vai levar algum tempo e acho difícil que ocorra ainda neste ano.”

Essa também é a avaliação de Natalie Victal, economista da Garde Asset, que vê os serviços como um foco de “cautela” em suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB). “O mix de dados de agosto é bom e a PMS não muda isso, mas os serviços evitam uma revisão mais forte na estimativa de PIB para o ano.”

No cenário da gestora, o PIB vai crescer 8% entre o segundo e o terceiro trimestres na comparação dessazonalizada, mas a economista ressaltou que a previsão otimista se deve muito mais ao comércio e à produção industrial do que aos serviços. Para 2020, a projeção atual de queda de 4,8% deve ser revista para melhor, disse Natalie, mas os serviços seriam fator limitante a uma revisão mais expressiva.

Ela destaca que, mesmo com alta de 33,3% no mês, os serviços prestados às famílias ainda estão 41,9% abaixo do patamar pré-crise, de fevereiro. Outro segmento que inspira preocupação, de acordo com ela, são os serviços prestados às empresas, que cresceram somente 1% em agosto.

Segundo Lisandra Barbero, economista da XP Investimentos, o comportamento mais fraco dos serviços administrativos pode refletir a cautela dos agentes econômicos, que, com a pandemia, ainda estão receosos em contratar atividades que exijam interação presencial.

Já no segmento de informação e comunicação, a redução em agosto seria mais um movimento de correção após meses de bons resultados. “Enquanto as demais aberturas caminhavam de forma bem negativa, esse setor teve desempenho mais forte nos primeiros meses da pandemia. Acho que a queda de agora é mais um ‘efeito base’.”

Do lado positivo, Lisandra ressaltou a expansão no mês de mais de 30% no volume de serviços prestados às famílias, setor que tem peso mais relevante no PIB do que na PMS. “Isso acaba trazendo a mensagem de que o viés dos serviços ainda é mais otimista para o ritmo de recuperação da atividade”, avaliou. Ela projeta alta de 6,8% para o PIB no terceiro trimestre.

Luana, do Ibre/FGV, afirmou que a dinâmica da indústria de transformação e do comércio coloca viés de alta na estimativa atual para a queda do PIB em 2020, de 5,2%, mas o mesmo não vale para os serviços. “Os serviços não devem retomar o patamar pré-crise este ano.”

“Uma recuperação mais pujante da maioria das atividades do setor somente poderá ser vista, no curto prazo, com o avanço da flexibilização das medidas de distanciamento social, e no médio e longo prazo, com a solução efetiva para a pandemia e a melhora das condições do emprego e da renda do trabalho”, disse César Garritano, economista da Renascença.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo reviu ligeiramente para baixo, de -5,7% para -5,9% a previsão para a queda da receita real dos serviços em 2020. A entidade atribuiu a mudança à “lenta reação por parte do setor aos estímulos para a retomada do nível de atividade econômica”.

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