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Quadro nacional guia formação de palanques para eleição no Rio

As eleições para presidente da República estão guiando as negociações de filiação partidária e de alianças dos pré-candidatos a governador do Rio. Com o lançamento da pré-candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), ao Palácio do Planalto, o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes deve desistir de se filiar ao PSDB e fechar com o PP para disputar o governo do estado.

Maia é o aliado preferencial de Paes no estado e o PP apoia a pretensão do presidente da Câmara de concorrer ao Palácio do Planalto. Aliados do ex-prefeito também afirmam que o PP deixaria o ex-prefeito mais livre para compor com outros partidos.

No último domingo Paes voltou a se reunir com o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e com o presidente estadual do partido, o vice-governador Francisco Dornelles. As conversas tinham sido suspensas após o convite do pré-candidato do PSDB à Presidência da República, governador Geraldo Alckmin (SP), para que Paes voltasse para o partido.

Embora mantenha o plano de disputar o governo do estado, Paes está inelegível por decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, que o condenou por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2016. Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.

Para o Senado, uma das duas vagas na chapa de Paes deve ficar com o vereador Cesar Maia (DEM), pai do presidente da Câmara. Rodrigo Maia insiste, porém, que Cesar disputará o Palácio Guanabara em outubro.

Pré-candidato a governador, o deputado Indio da Costa (PSD) compareceu anteontem no ato de filiação do deputado Jair Bolsonaro ao PSL e afirmou que gostaria de fechar uma aliança. Bolsonaro está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para presidente da República. Indio está oferecendo uma vaga de senador para o deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho de Jair. Na outra, o senador Eduardo Lopes (PRB) disputaria a reeleição.

— Neste momento não estou interessado em aliança com ninguém — disse Jair Bolsonaro ao GLOBO.

Flávio Bolsonaro afirmou que a estratégia da família para o Rio ainda não está definida. Apesar de dizer que a porta não está fechada para Indio, ele sinalizou que a aliança não é conveniente:

— O perfil aqui para governo do estado tem que ser mais alinhado conosco, com o que defendemos para segurança pública, ter independência política para tomar medidas enérgicas em relação ao clima no estado. Tem que defender, por exemplo, que nossa escola forme estudantes e não militantes.

Ainda de acordo com Flávio Bolsonaro, a prioridade do PSL é eleger deputados estaduais, federais e senadores. Ele não descartou que a família fique sem candidato a governador no Rio. Outro caminho possível seria lançar um militar.

— A legislação que queremos mudar de segurança pública se faz no Congresso Nacional — disse Flávio Bolsonaro, justificando a prioridade dada por eles ao Legislativo nas eleições deste ano.

Indio já procurou também Alckmin oferecendo seu palanque no Rio para o tucano.

A Executiva Nacional do PRB, partido do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, já aprovou o apoio à candidatura de Indio, mas o partido foi procurado pelo pré-candidato do Podemos à Presidência da República, senador Álvaro Dias (PR), em busca de apoio. No Rio, o Podemos pretende lançar o senador Romário para governador no próximo dia 17.

O presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, minimizou as conversas com Álvaro Dias:

— Tivemos apenas duas reuniões. Uma em que fomos apresentados e uma outra em que falamos sobre pontos de vistas. Nada concreto.

Perguntado se o compromisso com Indio permanece, ele respondeu:

— De nossa parte, sim.

Com o fim da verticalização, as coligações estaduais não precisam repetir as nacionais.

Em outra frente, o presidente do PDT, Carlos Lupi, tenta convencer a deputada estadual Martha Rocha a disputar o governo do estado e assim dar um palanque para o presidenciável Ciro Gomes. A tendência de Martha Rocha, porém, é disputar a reeleição.

Lupi chegou a convidar Paes para ir para o PDT, mas o ex-prefeito avaliou, segundo pessoas próximas, que isso limitaria seu arco de alianças e impossibilitaria que ele caminhasse junto com Rodrigo Maia. Aliados de Paes ressaltam que sua eventual filiação ao PP lhe permitiria um palanque amplo, que não estaria restrito a Maia nem, em caso de desistência deste, a Alckmin para presidente da República.

— No PP, ele (Paes) pode fazer uma aliança mais ampla com PDT e PSB, com os quais ele mantém conversas há muito tempo — disse uma pessoa próxima do ex-prefeito, segundo a qual o palanque de Paes poderia abrigar vários candidatos a presidente.

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