SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

ÁREA RESTRITA

|

Procuradoria investiga declaração de Garotinho sobre 'compra' de parlamentares

A Procuradoria Regional Eleitoral no Rio de Janeiro (PRE-RJ) abriu uma investigação para apurar se o ex-governador Anthony Garotinho fez propaganda eleitoral antecipada e cometeu outros crimes ao pedir, em entrevista a uma rádio no domingo, votos para ele mesmo e candidatos a deputado estadual de sua futura coligação, para que não precise "gastar dinheiro para comprar" parlamentares.

A uma emissora de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, Garotinho anunciou a intenção de disputar a eleição para o governo do Rio e orientou os eleitores a apoiarem também seus aliados que vão brigar por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj):

— Não vote só em mim, vote no deputado que está do meu lado. Olha só: o cara vai votar em mim e vai votar num deputado estadual contrário, sabe o que vai acontecer? Depois eu vou ter que gastar dinheiro para comprar esse deputado. Como que vai fazer? Porque eu vou mandar uma lei, o cara não é do meu partido, e ele vai dizer assim: "Ah, não, eu para votar isso aí eu quero tanto". Porque é isso que acontece hoje no estado. Da onde nasceu o mensalão? Nasceu disso — disse o ex-governador à rádio.

O procurador regional eleitoral, Sidney Madruga, explicou que o procedimento investigativo é o primeiro passo para que seja avaliado se há ou não elementos para a abertura de uma ação judicial. Em nota, a Procuradoria afirmou que Madruga "avalia que o anúncio sobre a Alerj pode caracterizar outros ilícitos além da propaganda antecipada". O Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) vai receber uma cópia do procedimento de abertura de investigação para que sejam apurados possíveis ilícitos fora da esfera eleitoral.

— Para a PRE houve pedido explícito de votos e restou caracterizada a propaganda antecipada. A investigação também vai apurar a declaração do ex governador quanto a compra de deputados — disse o procurador.

Na quarta-feira, quando um trecho da entrevista já estava circulando pelo WhatsApp, Garotinho afirmou que a parte com referência à "compra" de deputados havia sido editada, descontextualizando o que ele havia falado. A íntegra da entrevista, no entanto, não traz nenhuma explicação adicional do ex-governador sobre a declaração. O ex-governador já foi procurado nesta quinta, via assessoria de imprensa, para se manifestar sobre a abertura da investigação, mas ainda não respondeu.

Fontes de Notícias :