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PMDB e Maia ameaçam Pezão no Rio

No Estado com as finanças mais combalidas da Federação, a crise do Rio de Janeiro é agravada pela iminência de um processo de impeachment, pela debilidade da saúde dos governantes e pelo avanço da Operação Lava-Jato, que aumenta a incerteza sobre a disputa pelo Palácio Guanabara em 2018.

Ameaçado de perder o poder, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) tirou, a partir de sexta, licença médica com duração de uma semana. Para o líder da oposição, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), Pezão pode ser chamado, ironicamente, de "ex-governador em exercício", pois quem mandaria, de fato, é o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, maior cacique do PMDB fluminense.

Mas Picciani, com câncer na bexiga, também está de licença médica, desde o dia em que estourou a operação que prendeu a cúpula do sistema de transporte no Estado, há duas semanas. A investidura do cargo de chefe do Executivo recai novamente sobre o vice-governador Francisco Dornelles (PP), com 82 anos.

Picciani pediu licença até 30 de agosto, e deixou o comando da Assembleia com Wagner Montes (PRB), apresentador de TV que ascendeu à política graças à fama em programas policiais populares. Parece sintomático. A escalada de violência tomou conta do Estado onde metade da frota de veículos da Polícia Militar está parada por falta de manutenção.

"A Assembleia cassa o Pezão a qualquer hora", afirma Freixo, para quem Picciani e o PMDB estão esperando o momento para detonar o processo de impeachment. Desde o início da gestão, Picciani tem desgastado Pezão, em movimentos que o levaram a ocupar nacos importantes da administração para si ou para aliados da Assembleia. Mas a estratégia tem limite na medida em que se aproxima o ano eleitoral.

A expectativa é de que, tão logo Pezão pavimente as bases de recuperação fiscal do Estado, por meio do projeto aprovado no Congresso em acordo com a União, a figura do governador seja descartada. Responsabilizar Pezão pela tragédia do governo é visto como a saída para reduzir os danos eleitorais ao PMDB nas disputas majoritárias - para governador e senador - e proporcionais, de deputados federais e estaduais.

Um pemedebista próximo do centro das articulações confirma a estratégia de retirada do governador do próprio partido. "Se o Estado não se recuperar, vai ter que afastar. O PMDB é muito pragmático, vive de resultado", diz o deputado estadual.

Numa eventual eleição indireta, o vereador e ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) já foi mencionado como opção para mandato-tampão. Mas, por enquanto, no xadrez pemedebista, Cesar ainda é considerado adversário, apesar da reaproximação de seu filho, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), com Eduardo Paes. O que resta de ressentimento é entre o pai e o sucessor dele na prefeitura.

Paes é o pré-candidato do PMDB a governador em 2018. Conta com apoio interno para manter a hegemonia do partido, embora a migração para outra legenda seja cogitada. Para o mesmo correligionário a debandada de Paes é improvável. "Ele vai tomar porrada de qualquer maneira. Mas não vai querer ter a máquina do PMDB contra ele. Ele faz conta", diz.

Ao Valor, recentemente, Paes afirmou que ele e Rodrigo Maia estarão juntos na eleição do próximo ano e que a cota de desentendimento entre os dois já foi esgotada. Mas, nos bastidores, a candidatura de Cesar Maia é considerada competitiva pelo perfil técnico, de valorização do servidor e pelos dois dos três mandatos que teve à frente da prefeitura. A isso se junta o peso que o filho ganhou nacionalmente, com a possibilidade de ascender à Presidência da República, caso a Câmara aceite o prosseguimento da denúncia contra Michel Temer. A movimentação de Rodrigo tem sido observada com atenção. As rodadas de encontros com prefeitos, deputados e outros políticos do Estado seriam o indicador de que alguém do DEM - ele ou o pai - concorrerá a governador.

"Isso pode dar uma embaralhada no cenário", afirma o secretário estadual de Cultura, André Lazaroni, ex-líder do PMDB na Assembleia, para quem a competitividade de um candidato outsider, fora da política, como o técnico de vôlei Bernardinho, que saiu do PSDB para o Partido Novo, seria baixa.

O nome mais cotado para disputar contra Paes é o do secretário municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, Indio da Costa (PSD). Seria o representante do grupo do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), que tem aliança também com o ex-governador Anthony Garotinho (PR), cuja filha, a deputada licenciada Clarissa Garotinho (PRB), é secretária de Desenvolvimento, Emprego e Inovação. O ex-governador, porém, perdeu força em 2014, quando não foi ao segundo turno.

Freixo, maior expressão eleitoral da esquerda do Rio, diz que se lançará ao Senado ou a deputado federal, a depender da reforma política. Se for criada uma cláusula de barreira, puxará votos para aumentar a bancada do Psol na Câmara. Para governador, o nome do partido é o vereador Tarcísio Motta, que concorreu ao cargo em 2014. Para Presidência da República, será "o deputado federal Chico Alencar ou algum representante da sociedade civil", diz Freixo.

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