SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

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Picciani teve mesada de R$ 400 mil quando não foi eleito

O delator Carlos Miranda disse nesta segunda-feira que o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani, e o ex-presidente da Casa Paulo Melo, ambos do MDB, receberam dinheiro do caixa único de propinas que o ex-governador Sérgio Cabral mantinha. Ex-operador de Cabral, ele prestou depoimento ao Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF-2).

De acordo com o ex-operador, Picciani e Cabral já dividiam propinas desde os tempos em que o ex-governador comandou a Alerj. Quando Picciani ficou sem mandato, depois de ser derrotado na disputa para o Senado, passou a receber R$ 400 mil mensais do caixa de propina de Cabral entre 2011 e 2014. Picciani recebeu dinheiro ilícito também durante suas gestões na Assembleia, segundo contou o ex-operador.

Miranda disse que Paulo Melo recebia esporadicamente propinas quando era líder do governo e, quando assumiu o comando da Alerj, passou a ganhar R$ 700 mil mensais, que depois viraram R$ 900 mil.

O ex-operador fazia o controle financeiro das propinas de Cabral. Ele disse que o dinheiro pago por empresas como Delta, Carioca Engenharia, Andrade Gutierrez, Facility, etc, era juntado num caixa único gerenciado por ele.

Ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), Jonas Lopes, também prestou depoimento e disse que fez um negócio com Picciani envolvendo a compra de gado, no valor total de R$ 600 mil. O deputado afastado pediu, segundo Lopes, para que a nota fiscal fosse no valor de R$ 100 mil e que o ex-presidente do TCE pagasse os outros R$ 500 mil por fora com o dinheiro de propina que recebia e que era de conhecimento de Picciani.

Lopes afirmou ainda que parte das notas só foi entregue em 2017, quando Picciani já sabia que o ex-presidente do TCE estava sendo investigado.

Os depoimentos fazem parte do processo da Operação Cadeia Velha, em que Picciani, Paulo Melo e também o deputado estadual Edson Albertassi são acusados de receber propinas de empresas do setor de Transportes.

10/07/2018

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