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Petrobras tem prejuízo de R$ 2,713 bi no 2º trimestre

Depois de registrar um prejuízo recorde de R$ 48,5 bilhões nos primeiros três meses de 2020, a Petrobras voltou a fechar no vermelho, dessa vez com perdas de R$ 2,713 bilhões no segundo trimestre. O resultado reflete os efeitos da pandemia da covid-19 sobre o colapso da demanda global por petróleo, que viveu entre abril e maio o seu momento mais crítico.

O prejuízo do segundo trimestre reverte o lucro de R$ 18,9 bilhões apurado em igual período de 2019 e teria sido ainda pior, caso a companhia não tivesse contabilizado, no balanço, os efeitos positivos - de R$ 10,9 bilhões - provenientes de uma vitória, na Justiça, em torno da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS. Em decisão definitiva, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região reconheceu que a petroleira poderá recuperar o pagamento a maior dos impostos desde 2001.

Ao contrário do primeiro trimestre, dessa vez não houve baixas contábeis causadas pela perda no valor de ativos e investimentos (“impairments”). A Petrobras já havia se adiantado e contabilizado, no balanço anterior, baixa de R$ 65,3 bilhões.

Os efeitos da pandemia sobre os preços, margens e volumes levaram a uma queda de 29,9% nas receitas líquidas da companhia, na comparação com o segundo trimestre de 2019, para R$ 50,898 bilhões. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) caiu 23,5%, para R$ 24,986 bilhões.

O balanço da Petrobras foi contaminado, sobretudo, pelo choque de preços do petróleo. O barril do tipo Brent foi negociado, em média, no trimestre, a US$ 29,20, patamar 57,6% inferior ao registrado em igual período de 2019. O colapso na demanda, nos últimos meses, obrigou a companhia a vender as suas cargas de óleo com descontos maiores em relação ao Brent.

Em termos de volume, a produção aumentou 4,1% em um ano, para uma média de 2,802 milhões de barris diários de óleo equivalente (BOE/dia). Frente ao primeiro trimestre, porém, houve queda de 3,7%, em reação ao choque de demanda global.

A estatal conseguiu, porém, se manter ativa no exterior, com a retomada da economia chinesa. A petroleira elevou em 54,6% as vendas para o país asiático, em relação aos três primeiros meses do ano, período em que a China foi fortemente afetada pela pandemia. Ao comprarem 598,5 mil barris/dia, os chineses responderam por 87% das exportações de óleo cru da Petrobras no último trimestre. Ao todo, a empresa vendeu, no exterior, 688 mil barris/dia - uma redução de 14,6% ante o primeiro trimestre, mas uma alta de 65,4% em relação ao segundo trimestre de 2019.

No aspecto financeiro, a dívida bruta subiu 2,2%, dos US$ 89,2 bilhões ao fim de março para US$ 91,2 bilhões em junho, acima da meta de US$ 87 bilhões para 2020. Já a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida versus Ebitda, em dólares, subiu de 2,15 vezes para 2,34 vezes na mesma base de comparação.

A petroleira encerrou o trimestre com R$ 109,57 bilhões em caixa, alta de 31% ante o fim de março. Em carta assinada aos investidores, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, destacou que US$ 1 bilhão já entrou nos cofres da estatal com vendas de ativos neste ano. “Apesar da forte recessão global, o programa de desinvestimentos vai bem”, escreveu.

Ele acrescentou que a empresa já abriu 20 processos de desinvestimentos em 2020. E comentou, sem dar prazos, que a estatal está discutindo os detalhes finais para formalização da venda da refinaria RLAM (BA). A melhor oferta foi apresentada pelo Mubadalla, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos. O executivo também disse esperar que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprove nos próximos meses a conclusão da venda da Liquigás, para a Copagaz e a Nacional Gás.

Ele disse, ainda, que a economia global dá sinais de recuperação, mas que, embora num nível mais moderado, “a incerteza permanece”. Por isso, defendeu que os cortes de custos e ganhos de eficiência devem se manter acelerados. No segundo trimestre, o custo de extração recuou 16%, para US$ 4,94 o barril, ante o primeiro trimestre.

 

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