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Palácio Laranjeiras: as belezas e polêmicas

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Herdeiro de um dos casais mais poderosos da história do Brasil, Eduardo Guinle queria construir um palacete à altura de sua influência.
Não poupou esforços nem grana para isso.
Pelo contrário, o Palácio Laranjeiras é de uma riqueza tão impressionante que quase levou o rapaz à lona.
Os materiais para construção vieram de diversos lugares do mundo, em especial de países europeus. Obras de artistas renomados ornavam os salões e paredes. Móveis selecionados nas melhores casas da França chamavam atenção.
O primeiro elevador a funcionar na América Latina foi instalado ali.
Em 1914, depois de 5 anos, ficou pronto. Prontinho.
A fachada, que é a primeira vista do Palácio, foi inspirada na do imponente Cassino Monte Carlo, em Mônaco.
A família Guinle ocupou esse edifício até 1947, quando foi vendido para o governo federal.

Dutra e Juscelino
Os presidentes Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) e Juscelino Kubitschek (1956-1961) moraram no Palácio Laranjeiras.
Dutra, que foi o responsável por ter apostado que o bambolê é uma grande diversão e também por fechar os cassinos no Brasil, gostava de dormir cedo. Nada de agitação.
Ao contrário de JK, que abria para festas.
São famosas as idas do barbeiro ao Palácio para ajustar a cabeleira do presidente bossa-nova. Não tinha chance nem de sair nem de receber quem quer que fosse sem estar perfeitamente engomado.
“Decisões importantes sobre a construção da nova capital federal, obra máxima do Plano de Metas do governo JK, foram tomadas dentro do Palácio das Laranjeiras. E foi de seu gabinete no Laranjeiras que Juscelino leu, em 19 de abril de 1960, seu discurso oficial de despedida do Rio, dois dias antes da inauguração de Brasília”, diz o site oficial do Palácio Laranjeiras.
Importante: Dutra morou boa parte do tempo no Palácio Guanabara.

João Goulart e a chegada dos militares
Foi no Palácio Laranjeiras que João Goulart soube que o caldo tinha entornado.
“O presidente João Goulart estava na ante-sala de seus aposentos, no primeiro andar do palácio Laranjeiras, sua residência oficial no Rio de Janeiro. Naquela noite de segunda-feira, 30 de março de 1964, deveria discursar para um auditório de suboficiais e sargentos das Forças Armadas reunidos no salão do Automóvel Clube, na Cinelândia, a menos de meia hora de distância. Com Jango — apelido pelo qual o presidente era carinhosamente chamado desde a infância — estavam o deputado Tancredo Neves, líder do governo na Câmara, e o secretário de Imprensa da Presidência, Raul Ryff. Ambos tentavam convencê-lo a não ir à reunião. Argumentavam que a presença do presidente jogaria lenha na crise militar que o país atravessava”, escreveu o jornalista Elio Gaspari no livro “ A Ditadura Envergonhada”.
Há muitas informações sobre o dia 31 de março para o dia 1 de abril. O Palácio Laranjeiras é um dos principais centros, afinal era o lugar que Jango despachava e usava como residência oficial.
“Nas primeiras horas do dia 1º de abril, as notícias que chegavam ao Palácio Laranjeiras eram estarrecedoras. De um lado, Goulart tomou conhecimento de que o Regimento Sampaio e o Batalhão de Caçadores aderiram aos golpistas, descumprindo suas ordens e as do ministro da Guerra. De outro, era informado de que vários comandos militares, em diversas partes do país, anunciavam apoio ao golpe. O governador do Rio Grande do Sul, Ildo Meneghetti, embora refugiado em cidade do interior gaúcho, ordenou que a Brigada Militar do estado aderisse ao movimento para depor Goulart. No Nordeste, o comandante do IV Exército também tomou posição ao lado dos golpistas e ordenou a prisão do governador Miguel Arraes”, escreveram os historiadores Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes no livro 1964.

AI-5: endureceram ainda mais
No dia 13 de dezembro de 1968, no Palácio Laranjeiras, o presidente Arthur da Costa e Silva assinou o Ato Institucional de número 5, que fechava o congresso, restringia o ir e vir das pessoas, dava carta branca na luta contra quem julgava fazer parte da subversão, acarretaria no AI6 que atacaria o Supremo Tribunal Federal e, sem poder esquecer, aumentaria a censura à imprensa.

Abertura ao povo
Depois de dois anos, já estava mais que na hora de abrir à visitação. Seguindo todos os protocolos sanitários, evidentemente.

O DIA – COLUNA INFORME DO DIA

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