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Pagar cota única de IPTU e IPVA continua vantajoso mesmo com inflação baixa, afirmam especialistas

Todo começo de ano é marcado pelo vencimento de tributos como IPTU e IPVA. E a inflação baixa — o IPCA, usado na meta oficial, acumula alta de 3,27% nos 12 meses até novembro — leva os contribuintes a se questionarem: o que é melhor, quitar em cota única ou pagar as parcelas? Segundo especialistas, o melhor, se possível, é pagar tudo de uma só vez.

Os cariocas que quitarem o IPTU em cota única, até 7 de fevereiro, terão desconto de 7% no valor total. A outra opção é dividir o imposto em dez prestações fixas. Para quem tem carro, o IPVA no Rio terá desconto de 3% no pagamento à vista, no período entre 21 de janeiro e 3 de fevereiro, conforme o final da placa. O valor pode ser dividido em até três parcelas.

Na avaliação dos especialistas, o cenário de juros baixos, com uma inflação que deve acelerar um pouco este ano, favorece o pagamento em cota única porque os investimentos conservadores, como títulos públicos, tendem a ter seus ganhos bem reduzidos.

Por exemplo, um IPTU cujo valor é de R$ 1,5 mil. Ao aplicar o desconto de 7%, o montante cai a R$ 1.395. Ou seja, há ganho indireto de R$ 105.

Caso o proprietário do imóvel, tendo R$ 1,5 mil para quitar o tributo de uma só vez, preferisse fazer uma aplicação em um investimento que remunere 100% do CDI líquido (já descontados Imposto de Renda e IOF) para retirar, mensalmente, o valor para pagar cada prestação, ficaria em desvantagem. Ao fim dos dez meses, o IPTU teria saído por R$ 1.470, uma vez que o rendimento da aplicação seria de pouco mais de R$ 30.

— No caso dos investimentos conservadores, como títulos públicos e poupança, o rendimento acaba sendo menor do que o ganho oferecido pelo desconto em pagamento de cota única, por causa dos juros em patamares baixíssimos — explica Virgínia Prestes, professora de Finanças da Faap.

Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está no piso de 4,5% ao ano, menor percentual desde a implementação do Plano Real. No início de 2019, a Selic estava em 6,5% ao ano.

— O desconto do IPTU na capital fluminense é o mesmo aplicado no ano passado. Os juros, porém, estão em um patamar mais baixo, ao passo que a inflação demonstra leve aceleração — relembra Filipe Pires, professor de Finanças do Ibmec/RJ.

De acordo com o último Boletim Focus, apurado pelo Banco Central com analistas de mercado, as projeções para a inflação este ano estão em 3,6%. A curto prazo, não se espera alívio nos preços da carne, e as tensões no Oriente Médio podem elevar a cotação do dólar e o custo dos combustíveis.

Embora o desconto oferecido pelo IPVA seja mais modesto, de 3%, também é mais vantajoso, matematicamente falando, quitar o tributo em cota única do que investir a quantia e fazer o pagamento com o rendimento da aplicação.

No caso de um imposto cujo valor cheio é R$ 2,5 mil, o desconto faz com que o total caia a R$ 2.425. Isso significa um ganho indireto de R$ 75.

Se os R$ 2,5 mil fossem aplicados em um produto que oferece retorno de 100% do CDI líquido, e o contribuinte pagasse o tributo em três prestações, o valor final dos pagamentos seria de R$ 2.482,13, já que os rendimentos seriam de apenas R$ 17,87.

— Na simulação, o investimento remunera 100% líquido do CDI. Não é algo impossível de encontrar, mas demanda certa pesquisa. Se o dinheiro fosse colocado na poupança, o ganho seria menor ainda. Além de o rendimento ser apenas 70% do CDI, ele só é computado na data do aniversário. Ou seja, se a movimentação não for exatamente na data específica, o rendimento é perdido — alerta Virgínia.

De acordo com os cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), com a Selic a 4,5% ao ano, a caderneta de poupança passou a render apenas 0,26% ao mês (3,15% ano ano, abaixo do atual patamar da inflação). Desta forma, se o dinheiro for mantido nessa aplicação, o investidor perde poder de compra.

— Nos atuais patamares de Selic e inflação, a poupança acaba não oferecendo um ganho real para o investidor. Se possível, é aconselhável pagar os tributos em cota única. Além de o desconto ser atraente, o orçamento do restante do ano fica livre de um peso fixo — aconselha Pires. — No caso do IPTU, por exemplo, cujo desconto é de 7%, um retorno parecido só seria alcançado em renda variável, que envolve todos os riscos de volatilidade dos mercados.

Além dos tributos, outras contas de início de ano, como mensalidade escolar e da academia também pesam no orçamento. Embora essas cobranças não ofereçam, em um primeiro momento, a possibilidade de quitar todas as parcelas de uma só vez, a dica dos planejadores financeiros é que a pessoa busque negociar diretamente com o prestador do serviço o pagamento em cota única e um percentual de desconto para compensar essa antecipação.

Essa dica, no entanto, só se aplica a quem tiver os recursos disponíveis.

E, claro, início de ano também é uma oportunidade para reorganizar as finanças. Quem não tem recursos em caixa para quitar os impostos em cota única, mas deseja fazê-lo em 2021, deve programar uma transferência automática para alguma modalidade de investimento assim que o salário cai na conta, recomendam especialistas. Eles ponderam que o importante é criar o hábito de poupar, mesmo que os aportes iniciais sejam pequenos.

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