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Paes propõe criar secretaria estadual contra corrupção

Depois de não mencionar o tema corrupção no discurso que oficializou sua candidatura ao governo do Rio, Eduardo Paes (DEM) apresentou nesta quinta-feira ao Ministério Público Estadual a proposta de criação de uma secretaria de integridade pública e transparência, caso seja eleito. O ex-prefeito esteve em audiência com o procurador-geral de Justiça, José Eduardo Gussem, na sede do MPRJ. A nova pasta teria a finalidade de criar sistemas de controle contra a corrupção e desvios de conduta de agentes públicos.

Há menos de dois meses, o atual governador Luiz Fernando Pezão teve iniciativa parecida, com a criação da Controladoria Geral do Estado. O órgão tem status de secretaria e é responsável por melhorar a gestão dos recursos públicos e combater casos de corrupção dentro da administração.

Segundo Paes, os sistemas hoje existentes no Brasil não têm sido efetivos.

— Nos meus oito anos de governo na prefeitura do Rio, por exemplo, havia uma série de regras e controles, mas isso não evitou que acontecesse um caso de corrupção, já comprovado, na secretaria de obras — disse.

O ex-prefeito se referia ao ex-secretário municipal de Obras do Rio Alexandre Pinto, que ocupou a pasta durante o governo de Eduardo Paes. Pinto admitiu ter recebido propina superior a R$ 1 milhão das empreiteiras Carioca Engenharia e OAS durante as obras que antecederam os Jogos Olímpicos. Ele foi preso em agosto de 2017 na Operação Rio 40 Graus e depois solto pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foi preso novamente em janeiro deste ano, na Operação Mãos à Obra. No fim de julho, ganhou o direito a cumprir prisão em regime domiciliar. As investigações não apontaram envolvimento de Paes no caso.

Ao procurador, Paes levou um conjunto de dez medidas que seriam colocadas em prática com a nova secretaria, entre elas um "teste de integridade", que permitiria, por meio de ações controladas, encontrar os casos de corrupção. O ex-prefeito disse que também pretende levar as propostas ao Ministério Público Federal (MPF) e à força-tarefa da Lava-Jato.

— A força-tarefa da Lava-Jato tem um exemplo fantástico. Essa experiência acumulada pode ajudar na criação de mecanismos para identificar esses casos.

De acordo com o candidato, a ideia é construir um grande sistema de informações dentro do estado. A meta é alcançar o primeiro lugar no ranking de transparência do Ministério Público Federal já no primeiro ano de governo.

— Hoje o Rio é o 16º — afirmou.

Paes disse não sentir constrangimento algum em apresentar tais propostas, apesar de ser citado em duas delações e de, durante mais de dez anos, ter sido filiado ao MDB, partido do ex-governador Sérgio Cabral, condenado a mais de cem anos de prisão.

— Não tem nenhum agente privado ou delator que tenha feito qualquer referência à cobrança de propina e desvios na máquina da prefeitura com a minha participação. Estou virando o rei das delações negativas — afirmou.

O candidato foi citado como destinatário de caixa dois da Odebrecht em delação de executivos da empresa. Ele também foi acusado pelo marqueteiro Renato Pereira de ter autorizado o pagamento de caixa dois em campanhas eleitorais.

Perguntado se a escolha de Comte Bittencourt (PPS) para o posto de vice seria pelo fato de o deputado ter feito oposição a Sérgio Cabral, como uma forma de se distanciar daquela gestão, Eduardo Paes disse que não.

— Eu fui aliado do governador Cabral. Lamento que ele tenha entrado pelo caminho que resolveu percorrer. Escolhi Comte por sua retidão, e não porque fez oposição ao Cabral ou ao Pezão. No caso do Pezão, acho que a torcida do Flamengo anda opositora — afirmou o ex-prefeito.

Paes ainda disse que vai manter neutralidade em relação à disputa ao Planalto, sem manifestar apoio direto a nenhum dos candidatos à presidência.

— Meu palanque está aberto. Por conta do tamanho da aliança, tenho obrigação de manter a neutralidade — disse.

O ex-prefeito não descartou, no entanto, fazer campanha com qualquer um dos presidenciáveis.

09/08/2018

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