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Ofensas e nacionalização marcam último debate entre candidatos ao governo do Rio

Encarado pelos candidatos a governador do Rio como a última chance de confirmar a passagem ao segundo turno ou tentar uma virada nas pesquisas, o debate realizado pela TV Globo, ontem à noite, teve frequente troca de acusações e até ofensas entre os concorrentes. A aguerrida polarização da disputa presidencial entre Jair Bolsonaro (PSL) e o petista Fernando Haddad, que domina os debates entre os eleitores, transbordou para a disputa estadual: os candidatos que precisam ganhar posições se posicionaram de um lado ou de outro, enquanto Eduardo Paes (DEM) e Romário (Podemos), primeiro e segundo colocados, evitaram aderir a qualquer presidenciável.

Paes e Romário buscaram evitar atritos e passaram todo o debate sem perguntarem diretamente um para o outro no púlpito montado no centro do estúdio. A saída de Anthony Garotinho (PRP) da disputa, barrado pela Justiça Eleitoral, acirrou o ânimo dos demais.

Na lógica da nacionalização do debate, Indio da Costa (PSD) e Wilson Witzel (PSC) buscaram se alinhar explicitamente a Bolsonaro, que lidera as intenções de voto para presidente no estado com 35%, segundo Datafolha da última quinta-feira. Márcia Tiburi (PT) defendeu Fernando Haddad (14% no Datafolha no Rio), enquanto Tarcísio Motta (PSOL) se apresentou com um discurso anti-bolsonarista.

 Logo no início, o psolista tentou colar Romário a Bolsonaro por causa do apoio anunciado do vice do senador, Marcelo Delaroli (PR), ao presidenciável. Romário se esquivou, dizendo que o vice era livre para escolher:

— Não sou eu que vou dizer para o meu vice em quem votar, nem para você ou mesmo para minha filha. Sou a favor da democracia.

Indio e Witzel, que buscam unir seus nomes ao de Bolsonaro, não demoraram a trocar as primeiras ofensas. As agressões verbais foram a marca do debate. Marcia Tiburi, Romário, Indio da Costa e Wilson Witzel (duas vezes) tiveram direitos de resposta concedidos. A apresentadora, Ana Paula Araújo, se preocupava em advertir que era necessário se ater à ofensa feita para evitar novas acusações durante a resposta. Ao longo do debate, os candidatos trocaram adjetivos como “mentiroso”, “frouxo”, “corrupto”, “fofoqueiro”, e até um “esquartejador”, quando Indio da Costa se referiu a denúncia contra um ex-assessor de Romário.

Eduardo Paes tentou se esquivar de polêmicas. Sempre que possível, o que aconteceu por quatro vezes, escolhia Pedro Fernandes (PDT) para responder, e os dois debatiam propostas em tom ameno. O ex-prefeito, porém, foi um alvo recorrente dos adversários. Ele recebeu ataques duros ao menos de Indio, Tarcísio e Marcia Tiburi.

O candidato do PSD lembrou de acusações contra o ex-prefeito do Rio e comparou Paes ao presidente Michel Temer, que na sua visão usou a máquina pública para convencer deputados a barrar processos contra ele em votações na Câmara.

— Se eu fosse você, nem seria candidato com tantos processos — disse Indio.

— Entendo seu desespero, mas não vou atender seu desejo, não — respondeu Paes.

Com a petista Marcia Tiburi, o confronto também teve momento tenso, mas começou com bom humor do candidato do DEM.

— Vou chamar a Marcia (para responder), mas não sou o Crivella — brincou Paes, em referência à assessora citada pelo prefeito Marcelo Crivella em reunião em que ofereceu vantagens a aliados, antes de perguntar sobre corrupção.

Na resposta, a petista lembrou da “farra dos guardanapos” episódio acontecido durante jantar em homenagem ao ex-governador Sérgio Cabral em Paris, em 2009, ao qual Eduardo Paes, então prefeito, estava presente. E lamentou a ausência de Garotinho, “que sempre brincava sobre esse assunto”.

— A sua saudade do Garotinho mostra que a senhora gosta mesmo de um presidiário — disparou Paes, se referindo ao ex-presidente Lula.

A resposta de Tiburi foi incisiva:

— O senhor foi grosseiro. Tem muita gente que é presidiária e é inocente. E muita gente bandida aqui fora. Sugeriria que o senhor nao falasse mais isso porque fica grosseiro.

Tarcísio citou a delação de executivos da Odebrecht, em que Paes foi acusado de receber US$ 5 milhões em uma conta no exterior.

— Que conta é essa? O que você deu em troca? — provocou o candidato do PSOL.

O ex-prefeito do Rio afirmou que as investigações em curso vão mostrar que ele não tem conta no exterior.

Romário vinha conseguindo se manter distante das discussões mais agressivas até o bloco final, quando trocou ofensas com Indio e Witzel. Primeiro, ouviu de Indio que um ex-assessor seu (Wilson Musauer) é réu sob a acusação de cometer quatro homicídios. O candidato do PSD, na tréplica, chegou a dizer que o assessor havia “esquartejado” pessoas. Em outro momento, Indio citou um irmão de Romário que esteve lotado na prefeitura e, segundo ele, não ia trabalhar. O senador respondeu que o adversário “não tinha moral” para falar desse assunto.

Com Witzel, Romário chegou a se exaltar. O senador encerrou uma crítica ao ex-juiz por sua atuação no Espírito Santo com ofensa pessoal:

— Precisamos de homem, de atitude, e não de frouxo — num fecho de um debate que teve mais xingamentos que propostas.

03/10/2018

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