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Nova denúncia contra Cabral cita propina de R$ 23,9 milhões

A mais recente denúncia da força-tarefa da Lava-Jato no Rio revela o pagamento de propina ao ex-governador Sérgio Cabral (MDB) por mais uma empreiteira: a Queiroz Galvão. De acordo com os procuradores, dois doleiros, Raul e Jorge Davies, ajudaram o emedebista em 33 oportunidades a receber um total de R$ 23,9 milhões em propina da empresa entre abril de 2011 e agosto de 2014, quando Cabral já tinha deixado o governo.

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que houve o acerto de pagamento de propina pela Queiroz Galvão pelo menos em relação a três obras custeadas com recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): urbanização na Comunidade da Rocinha (PAC das Favelas), construção do Arco Metropolitano (Segmento C – Lote 02) e a construção da Linha 4 do Metrô.

Essa foi a 24ª denúncia contra Cabral na Lava-Jato. Além dele, foram denunciados Dario Messer, conhecido como o doleiro dos doleiros e que está foragido, e outras 60 pessoas. Esse é um resultado da Operação Câmbio, Desligo, que desarticulou uma rede de doleiros que movimentaram US$ 1,6 bilhão por meio de mais de 3 mil contas de offshores. Antes da Queiroz Galvão, Cabral ja foi acusado de receber de outras empreiteiras como a Carioca Engenharia e Odebrecht.

Em nota, a defesa do ex-governador diz que "a acusação trata de temas que já estão sendo discutidos em Juízo". "É a quarta denúncia sobre os mesmos fatos e as mesmas personagens. Sérgio Cabral não conhece e não teve, sequer, contato com as pessoas mencionadas pelo Ministério Público Federal", afirma.

A denúncia cita a delação do operador de Cabral, Carlos Miranda, que disse que, em 2007, no início do governo do emedebista, o então secretário de Governo Wilson Carlos o informou que teria sido feito acordo com Ricardo Galvão para pagamento de propina na proporção de 5% dos pagamentos feitos pelo governo do estado do Rio à empreiteira. Miranda conta que, inicialmente, o pagamento de propina era feito na forma de mesada no valor de R$ 300 mil, mas que, em razão das dificuldades que a Queiroz Galvão possuía em gerar dinheiro em espécie no Brasil, a empreiteira optou por realizar os pagamentos por meio dos doleiros Raul e Jorge Davies.

Ainda em sua colaboração, Miranda afirma que o saldo devedor da Queiroz Galvão, ao final do governo Cabral, seria de R$ 20 milhões, de acordo com suas contas. Numa reunião na casa de Cabral, em 2014, após a saída do emedebista do governo, Ricardo Galvão apresentou outras despesas que teria feito para Cabral. O operador conta que, então, o saldo caiu para R$ 14 milhões e que a empreiteira pagou R$ 4 milhões do doleiro Davies e R$ 6,5 milhões em contribuições de campanha de 2014.

"Que em operação policial em 2014 foi achada uma lista escrita a mão na sede da QUEIROZ em SP; Que, nessa lista, o primeiro nome era “SC” associado a um valor de R$ 9.000.000,00; Que, na época, não vincularam SÉRGIO CABRAL a isso, mas era o que havia sido pedido a QUEIROZ na campanha; Que o colaborador teve conhecimento de tal documento por meio da imprensa”, afirma o documento de delação de Miranda.

No texto encaminhado ao juiz Marcelo Bretas, que decidirá se os denunciados viram réus, os procuradores afirmam que as investigações relacionadas ao crime de corrupção ativa cometidos pelos representantes da empresa Queiroz Galvão permanecem em curso. A denúncia se detém aos recebimentos de propina por Cabral por intermédio dos doleiros.

A Construtora Queiroz Galvão informou que não vai comentar a denúncia.

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