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'Não sou Adhemar de Barros, rouba, mas faz', diz Cabral

Em mais um depoimento ao juiz Marcelo Bretas, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) citou nesta terça-feira um bordão associado ao ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros para se defender das acusações de formação de cartel nas obras do Maracanã e do PAC das Favelas.

— Eu não sou Adhemar de Barros, "rouba, mas faz". Eu realizo, eu realizei — disse Cabral, que chegou ao prédio da Justiça Federal com a biografia de Nelson Mandela na mãos.

O ex-governador também chamou de "mentiroso" e "puxa-saco" o empresário Fernando Cavendish, da construtora Delta. Na segunda-feira, Cavendish afirmou que deu um anel de brilhantes de mais de R$ 800 mil à ex-primeira-dama Adriana Ancelmo e, em troca, conseguiu participar do consórcio que faria a reforma do Maracanã. A história foi revelada pelo GLOBO, em outubro do ano passado.

— Vi o Cavendish falar do anel que ele deu de presente à minha mulher em julho de 2009. A licitação (do Maracanã) foi em agosto de 2010. Esse pobre sujeito desesperado, porque é acusado de lavar R$ 300 e tantos milhões, desesperado, vai mudando a versão de acordo com os interesses da acusação. Me deu a oportunidade de dizer ao senhor que ele (Cavendish) é mentiroso. Era aniversário da minha mulher (Adriana Ancelmo), e ele entregou o anel à minha mulher. Ele dizer que um presente de puxa-saco, dado à minha mulher... Acha que vou entrar numa loja com um sujeito e pedir para ele comprar um presente para minha mulher?

Na versão do empresário, ele e Cabral estavam perto de Nice, na França, e foram a uma joalheria. Lá, Cabral teria escolhido o anel e pedido a Cavendish que pagasse. Segundo o empresário, três meses depois, ele pediu ao então governador que a Delta participasse do consórcio do Maracanã, no que foi atendido. O valor desembolsado pela joia, de acordo com Cavendish, foi abatido dos 5% de propina pagos pela empresa a Cabral.

Cabral chamou de "surreal" a acusação de que teria facilitado a entrada da Delta na licitação em troca do anel.

— Chega ser risível. Uma obra de centenas de milhões de reais... É risível e covarde da parte dele (Cavendish).

Cabral voltou a negar ter recebido propina:

— Nunca recebi propina nem no Maracanã nem em nenhuma outra obra ou serviço. O que recebi foi colaboração de campanha, e eles (delatores) hoje misturam campanha com propina ao bel prazer — disse.

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