SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

ÁREA RESTRITA

|

Miro Teixeira não vai mais disputar governo do Rio

O deputado Miro Teixeira não deve mais concorrer ao governo do Rio. A decisão foi tomada numa reunião da comissão executiva do partido na segunda-feira, quando foi analisado o cenário eleitoral e as dificuldades para construção de alianças para que o parlamentar disputasse a eleição majoritária.

Além disso, pesou na decisão da Rede a necessidade de formar uma bancada maior na Câmara para atender a cláusula de desempenho, que passa a vigorar nessas eleições e determinará o acesso do partido ao fundo partidário nos próximos anos.

Em 2018, as legendas terão que atingir a votação mínima de 1,5% para o cargo de deputado federal em pelo menos nove estados. Ou eleger nove parlamentares para a Câmara de estados diferentes. Hoje a Rede tem apenas dois deputados.

— Tenho 8 ou 9 segundos de tempo de TV e quando entra a campanha não tenho o brilho da Marina (que deve ter tempo semelhante para a disputa presidencial). Por isso, provavelmente vamos sair como candidatos a deputado federal eu e Bandeira de Mello (presidente do Flamengo). Com isso, temos uma bancada da Marina e reforçaremos a continuidade da Rede (por causa da cláusula de barreira). A não ser que haja fato novo e relevante, essa situação não muda — disse Miro ao GLOBO nesta terça-feira.

Nos últimos meses, Miro vinha conversando com lideranças políticas de vários partidos no Rio para tentar construir um programa de governo que unisse forças para tentar se contrapor ao projeto do MDB no estado. Segundo ele, porém, não foi possível construir nenhum consenso sobre as propostas ou nomes que pudessem conduzir esse projeto.

Diante desse cenário, a Rede passou a discutir a viabilidade da sua candidatura no Rio e chegou a conclusão de que seria melhor para a estratégia da legenda tê-lo como puxador de votos para a bancada federal.

Na reunião da executiva do partido, ficou definido que a convenção nacional que apontará a ex-senadora Marina Silva como candidata da Rede à Presidência será no dia 4 de agosto. O cenário para a aliança nacional também foi avaliada, segundo Miro, e também ficou evidente a dificuldade para fechar um acordo com partidos que não estejam envolvidos em escândalos de corrupção e com bancadas relevantes.

A tendência é que Marina tenha apoio de legendas menores como PHS e PPL. Mas não está descartada a possibilidade de Marina disputar a eleição sem alianças.

Miro disse que os candidatos à Presidência precisam reagir à chantagem dos partidos do Centrão.

— Não vamos fazer alianças com esses partidos porque perdemos nossa identidade. É preciso lançar um movimento "Fora, Centrão" — disse ele.

O cenário eleitoral do Rio para os demais pré-candidatos segue bastante indefinido também, tanto que as legendas estão programando suas convenções partidárias para o final do período previsto pela legislação, que vai até 5 de agosto.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, exemplifica a indefinição. A legenda tem como pré-candidato ao governo do Rio o deputado estadual Pedro Fernandes. Mas a formalização da candidatura depende das articulações nacionais.

— Nosso candidato será o Pedro Fernandes. Mas, se houver uma aliança do DEM com o Ciro (Gomes, presidenciável do PDT), posso reabrir a discussão interna — afirmou Lupi.

Ciro vem negociando uma possível aliança com os partidos do blocão (DEM. Solidariedade, PSC, PRB e PP) e isso só deve ser definido na última semana de julho. Por isso, a convenção estadual do PDT está agendada para 30 de julho.

Prioritariamente, Lupi tenta fechar uma aliança nacional com PSB e PCdoB, partidos que têm maior alinhamento ideológico com Ciro e o PDT. Uma definição sobre essa aliança pode sair na próxima segunda-feira. E caso seja fechado esse acordo, Lupi quer repeti-lo no Rio.

Mas ele não descarta, contudo, uma aliança em torno da candidatura do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, do DEM, caso aconteça uma aliança entre Ciro e a legenda de centro-direita.

No Rio, o DEM só deve realizar sua convenção em agosto, também por causa dos arranjos nacionais e de olho também nas negociações que sustentarão a futura candidatura de Paes, que era filiado ao MDB até o início deste ano. Ele deixou a legenda para tentar se descolar do desgaste do partido que comanda o governo do estado há mais de uma década.

O Podemos, do senador Romário, que pretende disputar o governo, só deve fazer a convenção no dia 4 de agosto. PT e PSOL também só devem formalizar as candidaturas de Márcia Tiburi e do vereador Tarcísio Mota, respectivamente, no final de julho.

O pré-candidato do PSD ao governo, deputado Índio da Costa, e o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PRP) devem ter seus nomes confirmados pelos partidos um pouco antes. O PSD prevê fazer a convenção no dia 21 e o PRP entre os dias 20 e 22 deste mês.

Fontes de Notícias :