SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

ÁREA RESTRITA

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‘Minha vida sempre foi descascar abacaxis’, afirma Dornelles

 “O último grande desafio na vida pública”. É assim que o governador em exercício Francisco Dornelles, de 83 anos, classifica os 30 dias que tem pela frente no comando do estado. O agora titular do Palácio Guanabara não ocupará a sala antes usada por Luiz Fernando Pezão, preso na quinta-feira na Operação Boca de Lobo, da Lava-Jato:

— Estou muito bem aqui no prédio anexo (destinado ao gabinete de vice-governadores). Gosto das árvores e dos micos pulando de galho em galho — diz Dornelles, apontando para a janela. — A sala do Pezão (no edifício principal do palácio) é boa para museu. As instalações são muito pesadas, né?

O gabinete de Dornelles é decorado com bandeiras do Brasil e do Estado do Rio. Sobre a mesa, imagens de santos, uma flâmula do Fluminense e retratos dos netos. As duas filhas não gostaram do protagonismo forçado do pai na reta final de governo. O Natal em São João del-Rei, cidade com menos de cem mil habitantes em Minas Gerais, onde o governador em exercício nasceu, terá que ficar para o ano que vem.

A rotina também mudou. Habituado a dormir às 21h, Dornelles já enfrenta reuniões que entram noite adentro. Antes, só as partidas do Fluminense e os jogos de vôlei na TV o faziam ficar acordado até tarde.

— Como vice, eu aconselhava e examinava casos específicos. Eu não entrava no funcionamento da máquina. Agora, tenho que receber secretários e tentar solucionar problemas. Mas vou continuar acordando às 6h30m, para fazer meus exercícios — afirma.

O treino para manter a saúde em dia é intenso, com sessões de pilates, musculação, esteira e natação.

— Cada dia tenho uma atividade diferente — diz ele.

É bom mesmo Dornelles estar preparado. Ele terá missões difíceis pela frente. Entre elas, pagar o 13º do funcionalismo e manter o veto de Pezão ao projeto da Assembleia Legislativa que retirou a Cedae do Regime de Recuperação Fiscal. Mas o governador em exercício parece não se assustar:

— Minha vida sempre foi descascar abacaxis: na Receita Federal, como ministro da Fazenda (na gestão de José Sarney) e no governo do Rio. Quando o Pezão tirou licença médica em 2016, a situação era bem mais delicada. No início de cada mês, eu já ficava sabendo quantas pessoas iriam ficar sem salário — conta, afirmando que só poderá anunciar a data do pagamento do 13º na próxima quarta-feira.

Nos momentos difíceis, Dornelles busca inspiração em dois políticos: Winston Churchill, que foi primeiro-ministro britânico, e Tancredo Neves, de quem é sobrinho. E também guarda lembranças de outro ilustre:

— Meu pai era primo do Getulio Vargas. Minha vida política começou aos 10 anos, na primeira queda do Getulio. Naquele dia, invadiram a minha casa na Vila Militar, no Rio — recorda.

Dornelles já tem data para pôr um ponto final na vida pública. Em junho de 2019, quando termina seu mandato na presidência estadual do Progressistas (PP). Ele diz não saber o que fará com tanto tempo livre:

— Só chegando lá para ver.

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