SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

ÁREA RESTRITA

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Mercados sofrem com indefinição na cena fiscal e ruídos políticos

Os ruídos políticos em torno do programa social Renda Cidadã deixaram o investidor, mais uma vez, na defensiva. Informações sobre os rumos das contas públicas mantiveram o câmbio e a bolsa pressionados mesmo após o ministro da Economia, Paulo Guedes, negar uma possível extensão do estado de calamidade pública ou do auxílio emergencial no país.

O dólar comercial encerrou em alta de 0,64%, a R$ 5,6263, depois de registrar a máxima intradiária de R$ 5,6380. Mais uma vez, o real destoou de pares emergentes, que ganharam terreno, em sua maioria, beneficiados por um recuo parcial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que permitiu a negociação de um pacote de ajuda ao setor aéreo no país.

Já o Ibovespa fechou em queda de 0,09%, aos 95.526 pontos, com giro de R$ 18,3 bilhões - abaixo da média diária no ano, de R$ 20,5 bilhões. Na mínima do dia, o índice chegou a escorregar a 94.881 pontos.

O susto que levou o índice para a mínima e puxou a alta do dólar, durante a manhã, veio da notícia de que o governo cogitava propor a extensão do auxílio emergencial e do estado de calamidade pública, possivelmente até junho do ano que vem. Porém, na sequência, o ministro da Economia, Paulo Guedes, negou a informação e afirmou que a articulação pela prorrogação do auxílio não existe e que o plano, bem como o estado de calamidade, se encerram em dezembro.

A iniciativa de Guedes, no entanto, não foi suficiente para acabar com a tensão do dia. De acordo com o gestor da Grou Capital Tiago Sampaio Cunha, existe um clima de desconfiança no mercado. “A postura mudou no mercado. O mercado já não acredita na agenda de privatizações e reformas apenas nos discursos, precisa de fatos concretos para colocar no preço”, explica.

Segundo apurou o Valor, a decisão sobre o Renda Cidadã deve ficar mesmo para depois das eleições. Até lá, o governo e as lideranças aliadas terão tempo de discutir qual o melhor formato de financiamento. A ideia de romper com o teto está descartada, afirmou um interlocutor.

Em carta referente a setembro, a Verde Asset aponta, inclusive, para a necessidade de o auxílio emergencial ser descontinuado a partir de janeiro. Um estudo feito pela gestora mostra que, com base em microdados, em agosto o valor do programa “poderia ter sido de R$ 188 por adulto para que, na média dos domicílios que o receberam, a renda efetiva fosse exatamente a renda que o domicílio recebia habitualmente”. A Verde destaca ainda que, de agosto até agora, o grau de mobilidade deve ter aumentado “e provavelmente deve continuar subindo conforme o controle da pandemia se consolida”.

Na avaliação da gestora, portanto, “a decisão acertada do ponto de vista fiscal e do propósito do programa é a de efetivamente descontinuar o programa a partir de janeiro, sem que isso tenha impactos profundos na renda recebida em relação ao que se observava antes da pandemia”. Os ruídos em torno da questão fiscal, contudo, têm deixado o mercado em dúvida quanto ao compromisso real do governo em deixar a dívida pública em uma trajetória sustentável.

No mercado de juros, as taxas de curto prazo recuaram. No entanto, nos trechos de mais longo prazo, os juros se mantiveram em alta, também com o investidor se antecipando ao leilão do Tesouro hoje. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 caiu de 3,36% para 3,26%. Já a do DI para janeiro de 2027 subiu de 7,56% para 7,60%.

 

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