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Governo analisa conceder crédito por ‘maquininhas’

O governo analisa uma proposta de concessão de crédito via “maquininhas” de cartões para micro, pequenas e médias empresas impactadas pela quarentena imposta em decorrência da pandemia do coronavírus. Segundo o Valor apurou, a queda nas vendas chega a 70% em setores mais afetados dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Levada pela credenciadora de cartões Stone às autoridades, a proposta inicial prevê R$ 100 bilhões em crédito, taxa de 3,75% ao ano, prazo de três anos e carência de um ano para o pagamento, considerando que, após o período de quarentena, muitos negócios vão ter lenta recuperação das vendas.

A linha seria nos moldes do “crédito fumaça”, bastante conhecido pelo mercado. Nele, bancos e credenciadoras usam o histórico de recebimento de pagamentos com cartões nas “maquininhas” dos clientes para liberar crédito. As parcelas são cobradas na forma de um percentual das vendas futuras.

“A concessão do crédito poderia considerar o histórico de vendas pré-quarentena desses negócios”, diz Augusto Lins, presidente da Stone, ao Valor. Bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e BNDES, poderiam viabilizar a linha, com recursos do Tesouro. Em uma transmissão ao vivo no último domingo, Pedro Guimarães, presidente da Caixa, afirmou que estava analisando a proposta.

A Stone estima 8 milhões de micro, pequenos e médios negócios no país enfrentando dificuldades financeiras neste momento em que a quarentena está sendo imposta em alguns Estados. Só a companhia atende 500 mil pequenas e médias empresas, além de 2 milhões de microempreendedores individuais indiretamente por meio da TON, joint venture em parceria com a Globo Ventures, ou de subcredenciadoras que usam seu sistema para operar.

O crédito nas “maquininhas” só é viável porque o Banco Central criou um sistema de controles que permite que, se um cliente migra de uma credenciadora para outra, o percentual descontado dos empréstimos continua a ser feito no fluxo de pagamentos recebido, assegurando o valor ao credor dos valores emprestados. A Stone defende que as credenciadoras não sejam remuneradas pelo serviço prestado ao governo.

Em contrapartida ao empréstimo, o devedor seria obrigado a cumprir uma série de regras: conduzir o negócio com diligência, implementar as medidas de saúde impostas pelo ministério e a ajudar a comunidade.

Segundo a Stone, a medida seria uma forma, inclusive, de formalizar negócios que estão irregulares, mas que precisam de recursos neste momento de forte queda nas vendas.

A credenciadora ainda defende que seja criado um plano nacional para o controle da pandemia do coronavírus, o qual deve abranger a severidade da doença em cada região do país, para que as localidades sigam as orientações impostas pelo Ministério da Saúde acerca da obrigação de uma quarentena à população. “Estamos a favor de seguir as orientações das autoridades de saúde”, disse Lins.

A companhia levou ao governo a proposta de criar um grupo interministerial, com representantes dos Ministérios da Saúde e da Economia, pensando no combate à doença no curto, médio e longo prazo, uma vez que a dissociação de ambas as áreas pode ser perigosa. “É preciso ter fraternidade entre os governantes para combater um inimigo comum”, diz Lins. “Com o grupo interministerial, o ministério da Economia poderia alocar capital de maneira mais assertiva”.

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