SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

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‘A gente utiliza as eleições para divulgar o partido’, afirma Luiz Eugênio Honorato (PCO)

Metalúrgico aposentado da CSN e professor, Luiz Eugênio Honorato (PCO), candidato a governador do Rio, defende o fim das isenções fiscais pelo governo estadual e a criação de um banco público no Rio.

O PCO defende a revolução. Por que disputar a eleição?
Acreditamos numa mobilização nacional. Estamos vendo todas as instituições apodrecendo. O Poder Judiciário, o Congresso... É uma farsa chegar para a população e dizer que é possível administrar o Estado com essas instituições. O que a gente propõe é algo real: aqueles que geram a riqueza são os donos dessa riqueza. Então, para recuperar um Estado sucateado na sua força econômica... A gente tem que chamar o controle operário da produção.

Qual a viabilidade eleitoral do PCO, que não tem deputados e está distante de eleger um?
A pergunta ajuda a responder por que é estranho a gente participar das eleições. A gente, desde o nascedouro do partido, lutou para organizar a sociedade. Atuamos nos sindicatos (dos professores, dos bancários, nos Correios, petroleiros...), discutindo com os trabalhadores propostas para gerir o Estado. A nossa prioridade é essa mobilização nacional. A gente não acha que, via voto, vai conseguir essa transformação. A gente se prima não pelas eleições, mas pela mobilização dos trabalhadores.

Disputar eleição é estranho? Atrapalha o PCO?
Não. Não é nossa prioridade. A política é uma discussão de poder. A gente utiliza as eleições para divulgar o partido, expor nossas ideias. É um momento rico. A gente ocupa os espaços. Falam como se quiséssemos uma revolução, no sentido de achar que a gente é um grupo golpista que vai querer chegar para resolver os problemas da classe trabalhadora por nós mesmos. A gente não quer substituir as massas trabalhadores por uma elite política. Se fosse para sermos grupos guerrilheiros, não estaríamos fazendo política.

O quanto o fim da obrigatoriedade do imposto sindical impacta o partido?
Nós somos a única organização de esquerda que não temos hipocrisia sobre isso: nós dizemos que isso foi um massacre para a classe trabalhadora. Esse dinheiro vai voltar para o Estado. O Estado tem se posicionado contra os interesses da população. Se as direções sindicais são pelegas e estão usando isso para se beneficiar, que se troque as direções.

O partido recebe quase R$ 1 milhão do fundo eleitoral, além do fundo partidário. Sem representação no Congresso, como é gasto esse dinheiro?
Investimos na nossa imprensa. O fundo eleitoral vai para a campanha. Comparado com grandes partidos, é pouco. Não temos tempo de TV nem espaço na imprensa.

Os candidatos do PCO têm feito campanha contra o impeachment e a prisão de Lula. Por que não se coligaram ao PT?
Dilma foi eleita democraticamente e sofreu um golpe. Chamamos uma unidade de movimentos sociais e trabalhadores contra esse golpe. Nossas candidaturas tem o objetivo de denunciar a prisão de Lula. Tanto que não temos candidato a presidente. Não estamos coligados ao PT mas apoiamos o presidente Lula e denunciamos o golpe. Nesse ponto, é apoio irrestrito. Não estamos coligados porque há diferença de programas.

O PCO não entregou programa de governo ao TRE do Rio. Em outros estados onde tem candidato a governador, o partido entregou um manifesto contra o impeachment e a prisão do Lula...
Há o manifesto contra a prisão do Lula, mas também há um programa de governo. Houve algum entrave entre o envio ao TRE e a publicação. Vai ser resolvido.

Sobre finanças do Rio. O senhor pretende estabelecer um piso salarial de R$ 4 mil, além de outras promessas que demandarão altos investimentos num estado falido. Como a conta fecha?
De várias formas. O Rio está às portas do pré-sal, uma estimativa econômica de US$ 13 trilhões. O que se desonera (de impostos) no Rio é uma coisa absurda. A quantidade de terra improdutiva no Estado do Rio é enorme. É preciso fazer auditoria da dívida, taxar as grandes fortunas. Não falta dinheiro ao Estado do Rio. Expropriar o lucro dos bancos, criar um banco estadual único e discutir com a população a melhor forma de investir o dinheiro.

21/09/2018

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