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Estado e prefeitura perdem 15 gestores em apenas uma semana

A aproximação do início da campanha eleitoral está provocando um troca-troca em ritmo acelerado no governo do estado e na prefeitura do Rio. Só nesta semana, deixaram seus cargos 15 secretários, presidentes de fundações e de autarquias — dez deles, no âmbito estadual e cinco no municipal. O prazo para desincompatibilização dos cargos públicos para quem quiser concorrer nas eleições de 2018 termina neste sábado, o que indica que pode haver mais mudanças até segunda-feira, quando serão publicadas as nomeações e exonerações pedidas nesta sexta-feira.

No estado, deixaram os cargos os secretários Luiz Antônio Teixeira, da Saúde; Jair de Siqueira Bittencourt, da Agricultura; Thiago Pampolha, de Esporte e Lazer; e Átila Nunes, de Direitos Humanos. Saíram também os presidentes do Detran, Vinícius Farah; da Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), América Nascimento da Silva; da Fundação Leão XIII, Sergio Bernardino Duarte, e da Superintendência de Desportos do Rio (Suderj), José Ricardo Ferreira de Brito. Haverá troca ainda na Procuradoria Geral do Estado, que estava sob comando de um interino.

No município, foram quatro baixas em secretarias. Pedro Fernandes, de Assistência Social; Rubens Teixeira, de Transportes; Clarissa Garotinho, de Desenvolvimento, Emprego e Inovação; e Jorge Felipe Netto, de Conservação e Meio Ambiente. A secretária de Fazenda do município, Maria Eduarda Gouvêa também decidiu deixar o cargo, mas ainda não oficializou a decisão. Crivella também trocou o presidente do Procon, Jorge Braz Oliveira.

Com exceção de Maria Eduarda, todos os ex-secretários municipais deverão concorrer nas eleições deste ano. Para o coordenador do curso de Pós Graduação do Centro de Liderança Pública, Humberto Dantas, as trocas, por si só, não significam que os serviços públicos irão sofrer.

— Tudo vai depender muito de quem entra no lugar. Nos governos que estão acabando, como os do Pezão, não é incomum que estes cargos sejam ocupados por técnicos que levarão a gestão até o final. O técnico, por vezes, até faz coisas boas, consegue criar políticas interessantes — diz.

O prefeito Marcelo Crivella (PRB) também exonerou nesta sexta-feira servidores comissionados de cargos na Secretaria municipal de Assistência Social, ocupada por Pedro Fernandes (PDT). Na Fundação Parques e Jardins também foram exonerados comissionados. De acordo com a coluna da Berenice Seara, do Extra, seria uma retaliação à decisão de Fernandes de não se filiar ao PRB. Os funcionários seriam ligados a mãe do político, a vereadora Rosa Fernandes (PMDB).

Em nota, a prefeitura afirma que “as exonerações na secretaria municipal de Assistência Social e na Fundação Parques e Jardins ocorreram por razões administrativas’’. Segundo a nota, “a nomeação de novos funcionários ocorrerá nos próximas dias.”

No caso do governo do estado, as trocas têm ocorrido com frequência, sem ligação com o período eleitoral. A Fundação Leão XIII, ligada à Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia, por exemplo, vai ter seu terceiro presidente em três anos. A autarquia cuida de abrigos. O gestor mais recente, Sérgio Bernardino Duarte, foi exonerado ontem. Para o coordenador do curso de Pós Graduação do Centro de Liderança Pública, Humberto Dantas, estas trocas podem prejudicar a gestão do órgão.

— É muito nocivo, pois impossibilita estabelecer uma boa política pública para a pasta ou fundação — afirma.

Em Niterói, um dos exemples de que as trocas podem atrapalhar a continuidade de programas pode ser visto no Centro de Reabilitação Social (CRS) de Itaipu, que já teve capacidade para abrigar 400 pessoas e hoje tem apenas 13 internos. No local, até o muro que cerca o espaço caiu.

Os quatro pavilhões do espaço estão interditados, e os moradores estão divididos em salas menores, convertidas em dormitórios. O último pavilhão fechou em março por causa do péssimo estado de conservação. Segundo uma funcionária do abrigo, foi preciso chamar seis caminhões de lixo para retirar os detritos acumulados. Há ainda no interior do prédio de dois andares dezenas de sacos com roupas a serem descartadas.

— Lá era horrível, entrava cobra, lagarto, aranha. Quando chovia molhava tudo — conta um dos abrigados no CRS.

O vereador da Câmara Municipal de Niterói Paulo Eduardo Gomes (PSOL), que visitou o local há um mês, diz que os pavilhões podem ser recuperados.

Procurada a Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia informou, no entanto, que há uma determinação do Ministério Público para transferir os internos do Centro de Reabilitação de Itaipu. Segundo a ásta. 50 já deixaram o abrigo.

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