SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

ÁREA RESTRITA

|

Em discurso no BNDES, Wilson Witzel diz que recebeu uma 'herança maldita'

Em discurso durante a posse do novo presidente do BNDES, Joaquim Levy nesta terça-feira, o governador Wilson Witzel disse que recebeu  uma "herança maldita" no comando do governo do estado, formado por déficit no orçamento de R$ 8 bilhões e restos a pagar de R$ 11 bilhões.   Witzel  chegou a dimensionar o que chamou de "fundo do poço": R$ 617 milhões: essa é a quantia que falta para o Estado arrecadar e garantir o pagamento dos servidores no mês de dezembro. Em sua exposição.  o governador defendeu ainda que as guardas municipais usem armas  e nem mesmo  descartou a hipótese de vender a Cedae no futuro.

- O BNDES é uma herança Bendita. Tenho certeza que o professor Dyego Oliveira (antecessor de Joaquim Levy) recebeu a casa arrumada de seu antecessor Paulo Rabello de Castro. Já o Rio de Janeiro, infelizmente, é uma herança maldita. Se nada fizermos, chegaremos ao fim do ano com um rombo de R$ 20 bilhões. Isso levando-se em conta que o pagamento da dívida está suspensa (pelo Regime de Recuperação Fiscal) - disse Wilson Witzel.

Segundo o governador, o Estado conta com R$ 800 milhões em caixa mas os recursos estão em "fundos vinculados", que não podem ter outras aplicações. Ele, no entanto, disse que terá esses  recursos para pagar o funcionalismo  até o décimo dia útil que passou a ser a data de pagamento dos servidores com a crise financeira do estado. Este mês, o décimo dia útil cai no dia 15. Em média, a folha é de R$ 1,7 bilhão (líquido).     

- Hoje, soube do secretário de Fazenda,  Luiz Cláudio (Rodrigues), qual era o fundo do poço: R$ 617 milhões. Mas certamente teremos esse dinheiro para pagar os servidores - disse o governador.

Sobre a Cedae,  Witzel mudou um pouco o tom. Ao longo da campanha e até mesmo depois de ser eleito, o governador negou qualquer interesse de privatizar a empresa. No BNDES deixou essa hipótese em aberto, mas a longo prazo:

- A Cedae  foi colocada no prego para ser vendida. E sou contra porque ela é estratégica para o Rio de Janeiro neste momento. Mas pode haver uma APO (Oferta pública de ações) para a abertura de capital.  E até mesmo ser preparada no futuro para uma privatização. Mas não agora - acrescentou Witzel.    

Sem entrar em detalhes sobre sua proposta, o  governador também defendeu que ocorram mudanças na Lei Complementar 159 que instituiu o Regime de Recuperação Fiscal. Witzel lembrou que outros estados como Rio Grande do Sul e Minas Gerais enfrentam dificuldades financeiras e precisam renegociar suas condições de pagamento. No entanto, o Rio foi o único estado a assinar o acordo. 

Witzel também defendeu que as guardas municipais sejam armadas para ajudar na segurança pública. Acrescentou que está conversando com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, para implantar o projeto Comunidade Cidade para melhorar a infraestrutura de favelas da capital, levando saneamento e segurança para as comunidades.

Fontes de Notícias :