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Dornelles cita Pezão em transmissão de cargo para Witzel

O cerimonial que transmite o cargo de governador de Francisco Dornelles — vice que assumiu depois da prisão de Pezão, no fim de novembro — para Wilson Witzel (PSC) é realizado nesta tarde na frente do Palácio Guanabara, em Laranjeiras. No discurso, Witzel afirmou que "as tradições devem ser sempre revividas".

— Quero resgatar tradições, elas são importantes pra manter vivo na memória o quanto já se fez para que este estado hoje estivesse com a sua população com um mínimo de serviços públicos. Muitos deram suas vidas, senhor governador, usando o uniforme azul, o uniforme do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil, vestindo a camisa do governo para que outros pudessem viver — afirmou Witzel.

O novo governador desceu na área Ômega com a primeira dama, Helena Witzel e passou em revista a guarda palaciana. São 60 homens e mulheres sendo 21 do Batalhão do Choque. Depois, subiu a escada até o Salão Nobre após reverenciar a bandeira e a tropa passar por ele. No local, foi recebido por Dornelles, que sairá pela frente com a mulher, Cecília. A previsão é durar de 60 a 90 minutos incluindo a posse dos secretários. Em seu discurso, o ex-governador em exercício citou o ex-governador Luiz Fernando Pezão, que está preso desde o dia 29 de novembro.

— O Rio viveu nos últimos anos uma crise sem precedentes, com queda de arrecadação com receitas sequestradas com frequência pela União credora. A tecnocracia federal dava mais importância aos números que às vidas das pessoas. O governador Pezão com paciência e com esforço do Rodrigo Maia do presidente Michel Temer conseguiu assinar o Regime de Recuperação Fiscal — afirmou Dornelles.

A segurança no entorno do Palácio Guanabara será reforçada com homens do 2º Batalhão da Polícia Militar (Botafogo), agentes do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope). A previsão é que a cerimônia conte com a revista da tropa, desfile da guarda palaciana, execução do hino do Estado do Rio de Janeiro e uma bênção ecumênica.

 Em um discurso de 20 minutos, durante a cerimônia de posse na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o governador Wilson Witzel assumiu os compromissos de "libertar o estado da corrupção" e "derrotar o crime organizado". O governador também colocou entre suas prioridades a racionalização de custos e a retomada do crescimento econômico do estado. Witzel traduziu o resultado das urnas como "o grito de milhares de mulheres e homens cansados da traição e dos atos de corrupção" e sentenciou: "não temos o direito de errar".

O governador ficou com a voz embargada ao agradecer o apoio da esposa, Helena Witzel. Ele também agracedeu as orações do prefeito Marcelo Crivella, que estava presente na cerimônia. O discurso arrancou aplausos do público presente quando o governador classificou os traficantes do Rio de narcoterroristas. "Como terroristas serão tratados", afirmou.

O combate à corrupção foi um dos pontos centrais no discurso de Witzel. "É chegada a hora de libertar o estado da irresponsabilidade e da corrupção, que marcaram as últimas duas décadas da política estadual", afirmou.

Ao assumir a missão de racionalizar os custos e obter mais recursos para os municípios, Witzel fez uma referência à reforma da Previdência: "buscaremos apoiar o governo federal no processo de mudanças de ordem tributária, previdenciária e econômica, para garantir o futuro das próximas gerações e inverter a pirâmide de arrecadação".

A segurança pública foi outro ponto nevrálgico no discurso. "Não podemos mais viver sem liberdade, com medo de sair às ruas sem saber se voltaremos", afirmou o governador, que promete reorganizar as estruturas policiais.

O governador falou sobre o Conselho de Segurança, criado para substituir temporariamente a Secretaria de Estado de Segurança (Seseg), que por sua vez foi extinta em um decreto publicado no primeiro Diário Oficial da nova gestão. O conselho executivo, previsto para durar seis meses, terá o papel de fazer a interface entre as polícias Militar e Civil, que foram alçadas à condição de secretarias.

"A instalação do Conselho de Segurança, fruto da nossa experiência e estudos aprofundados por mais de 20 anos, vai aproximar as instituições e permitir que a segurança não seja mais apenas um caso de polícia, e sim uma política pública da responsabilidade de todos os poderes, conforme determina a Constituição Federal", disse Witzel.

Cultura, turismo, educação, saúde, emprego e produção agrícola também foram citados durante o discurso. "O resgate moral da nossa cidadania também passa pelo fortalecimento da cultura", pontuou Witzel, afirmando que o tema será tratado como política pública estratégica, mas sem se aprofundar em metas.

Ao mencionar as áreas de educação e saúde, o governador comprometeu-se a "integrar todos os órgãos federais, estaduais e municipais com vistas a reduzir custos e melhorar o acesso".

Com o objetivo de retomar o crescimento econômico do estado, Witzel apontou caminhos para a produção do campo, classificada por ele como "um dos pilares do desenvolvimento no interior". "Nenhuma economia saudável consegue se desenvolver de costas para seus agricultores", afirmou. Entre outras ações previstas para esse setor, o governador pretende diminuir as necessidades de importação de alimentos de outras regiões e facilitar o acesso dos produtores locais ao mercado.

O governador chamou o turismo de "o novo petróleo do Rio", e traçou como metas fortalecer e expandir o setor.

Por fim, Witzel citou uma frase de Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara na década de 1960: "A impunidade gera a audácia dos maus. O futuro não é o que se teme. O futuro é o que se ousa".

Sentado à direita do cardeal Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio, a quem convidou para compor a mesa, Witzel proferiu a palavra Deus três vezes durante o discurso de posse. Ao longo de sua fala, houve outras referências à religião ou à fé de um modo geral. 

Ao agradecer a presença do vice-governador, Claudio Castro — que se define em um site como advogado, músico, compositor e evangelizador —, Witzel afirmou: "Vossa excelência é um homem temente a Deus e um homem que nasceu para servir. E eu aprendo todos os dias a servir ainda mais seguindo seu exemplo".

Na vez de saudar o prefeito Marcelo Crivella, o governador agradeço pelas orações. Já ao cumprimentar Dom Orani, ele disse: "em seu nome, reverencio todas as autoridades religiosas e seus fiéis, que clamam pelo governo dos justos contra a praga dos ímpios".

"Não há política sem fé", afirmou ele, momentos antes de comentar a decisão de abrir mão da carreira de juiz federal para se candidatar: "sob a proteção de Deus, renunciei à minha carreira na magistratura federal e iniciei uma jornada que simbolizou, além de minha indignação, um ato de amor ao nosso estado".

O governador lembrou, ainda, que nasceu em um lar cristão e pobre, e ressaltou que a herança deixada pelos pais foram os ensinamentos sobre amor e respeito ao próximo. Ao fim do discurso, Witzel proferiu uma bênção: "Deus abençoe o Estado do Rio de Janeiro".

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