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Como Witzel tenta reverter o impeachment depois de ganhar tempo no STF

Com a pausa imposta pela decisão do ministro Dias Toffoli sobre o processo de impeachment na Assembleia Legislativa do Rio, o governador Wilson Witzel ganhou mais tempo para tentar reverter o quadro desfavorável. Pelas contas de experientes políticos da casa, o placar hoje contabiliza no máximo 14 votos contra o afastamento de Witzel entre os 70 deputados estaduais. O trunfo do governador é a habilidade do recém-nomeado chefe da Casa Civil, André Moura, um ex-deputado federal sergipano, nascido na Bahia, com a carreira forjada em Brasília e que, agora, assume a missão de dobrar os políticos fluminenses e salvar o mandato do seu chefe.

Formalmente, o papel de Moura é manter um canal aberto entre o governo e a Assembleia, melhorando o ambiente das conversas do dia a dia, das mensagens e dos projetos do Executivo. Nos bastidores, porém, o chefe da Casa Civil é visto como emissário com carta branca para negociar cargos e outras benesses da estrutura estadual, de modo a ampliar a base de apoio e consolidar uma maioria antes que a Assembleia consiga retomar o processo sem novos tropeços jurídicos.

André Moura conhece o ofício. Ocupou a Casa Civil de setembro do ano passado a maio deste ano. Antes, representou Witzel em Brasília. O governador se impressionou ao vê-lo ligar e ser atendido por nomes de peso da política nacional, Porém, desavenças com o então secretário do Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais, Lucas Tristão, teriam interrompido sua primeira passagem pelo governo. Moura volta agora sem adversários internos. E ainda conta com a vantagem de ter um bom diálogo com o presidente da Alerj, André Ceciliano.

Contra o encargo de Moura, cresce o clima belicoso no Legislativo estadual após a vitória parcial de Witzel no Supremo. Os deputados estimam que, com a dissolução da comissão do impeachment, decidida por Toffoli, o processo atrasará de 20 a 30 dias. Para compensar o tempo perdido, eles pensam em acelerar as sessões, fazendo até mais de uma por dia, para concluir o relatório final antes de ir à votação no plenário.

O GLOBO – ANALÍTICO (POR CHICO OTÁVIO)

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