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Com processo de impeachment em curso, vice de Witzel deve deixar partido do governador

Articulador político do governador Wilson Witzel, desde a exoneração do secretário da Casa Civil, André Moura, no final de maio, o vice Cláudio Castro não deve permanecer no PSC, caso a Assembleia Legislativa aprove o impeachment de Witzel. Apesar da boa relação com o pastor Everaldo Dias, presidente do partido e homem forte na atual gestão, Castro tem se aconselhado com deputados, vereadores, ex-governadores e até pré-candidatos à Prefeitura do Rio para traçar uma estratégia de gestão.

Uma delas é distensionar a relação com o presidente Jair Bolsonaro. A grande preocupação do atual governador é com a situação econômica do estado e com a manutenção do Plano de Recuperação Fiscal . Por 11 anos assessor do deputado estadual Márcio Pacheco, Claudio Castro cumpria seu primeiro mandato na Câmara dos Vereadores do Rio. Caso se torne de fato governador, o vice terá sua primeira experiência no Executivo e quer se desvincular do partido. Não deverá se posicionar nas eleições municipais deste ano e tentará uma gestão menos bélica.

O vice-governador tem sido bem visto pelos parlamentares. Foi por intermédio dele que o governador Witzel se encontrou, na semana passada, com o presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano (PT). A Alerj decidiu interromper o recesso parlamentar para votar o impedimento do governador. O procedimento foi aberto depois da operação de busca e apreensão nos endereços ligados a Witzel e a sua mulher, Helena. A ação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça e apreendeu computadores e celulares do governador. A busca era por provas ou indícios de fraudes na compra de mil respiradores, usados no tratamento de pacientes atingidos pela pandemia do Covid-19, e na contratação da Organização Social Iabas, responsável pelos hospitais de campanha.

O vice, que foi chamado para a chapa de Witzel em um momento em que a eleição do ex-juiz era uma perspectiva remota, foi até o Palácio Laranjeiras, residência do governador, no dia da busca e apreensão, demonstrar solidariedade. Políticos que conversaram com Cláudio Castro disseram que Witzel e Helena têm visto o vice-governador como traidor. O casal enxerga um clima de conspiração. Aliados do vice, no entanto, garantem que as articulações políticas são por conta do papel atribuído a ele pelo governador.

Cláudio Castro já conversou com políticos como o ex-governador Francisco Dornelles, o presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe e o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM). De acordo com o vice-governador, “nem é o momento de se pensar em deixar o partido”, e ressaltou que a relação com o pastor Everaldo Duas é “de respeito, desde antes da eleição”.

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