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Castello Branco toma posse na Petrobras e diz que o Rio pode ser a nova Houston

O economista Roberto Castello Branco assumiu nesta quinta-feira a presidência da Petrobras disposto a buscar mais parcerias, reduzir custos e vender ativos para aumentar os investimentos da estatal. Na cerimônia de posse, que contou com a presença dos ministros da Economia, Paulo Guedes, e de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, Castello Branco afirmou que os preços dos combustíveis da Petrobras continuarão a acompanhar as variações da cotação internacional do petróleo, para evitar prejuízos com a importação de derivados e manter a saúde financeira da companhia para investir no seu principal negócio: a exploração de campos em águas profundas e ultraprofundas, como as do pré-sal, de maior produtividade.

- O importante é ser forte, e não gigante. O foco é onde a Petrobras é dona natural do ativo, como os grandes campos de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. Vamos acelerar a produção de petróleo, e as parcerias serão sempre bem-vindas. Ser simples é o máximo da sofisticação — discursou Castello Branco na solenidade realizada na sede da empresa, no Centro do Rio.

Na presença do governador do Rio, Wilson Witzel, o novo presidente da Petrobras afirmou que o crescimento da estatal beneficiará o estado:

- Há um novo amanhecer no Brasil e na Petrobras para trazer benefícios para os acionistas e a sociedade brasileira. O crescimento da Petrobras pode beneficiar o Rio. O Rio pode ser uma nova Houston - afirmou, referindo-se à cidade americana conhecida como a capital internacional do petróleo. - Vamos ousar, respeitando as leis, as pessoas e o meio ambiente. Impossível é nada. Impossível é apenas uma palavra.

Castello Branco listou as prioridades para a estatal em sua gestão. Na lista estão a gestão do portfólio, a busca por custo baixo e eficiência, a meritocracia, a segurança no trabalho e a proteção ao meio ambiente.

Paulo Guedes não discursou, mas o almirante Bento Albuquerque afirmou que não haverá interferência do governo na política de preços dos combustíveis da estatal. Ele disse que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) trabalhará com a Petrobras para dar mais transparência a esse modelo, para que a sociedade entenda pelo que está pagando. A variação quase diária do preço do óleo diesel na gestão de Pedro Parente (2016-2018) foi um dos principais motivos da greve dos caminhoneiros, em maio do ano passado, que levou à criação do programa de subsídios ao combustível, encerrado em 31 de dezembro.

- Quando damos transparência a esse processo, podemos fazer algumas correções, eliminar subsídios e tornar mais claro aquilo que é justo que seja pago pelo combustível. Precisamos de uma perfeita sintonia entre a justa remuneração para as empresas e os preços razoáveis para a sociedade.

Castello Branco seguiu na mesma linha, descartando subsídios, e defendendo competição na área de refino, hoje dominada pela Petrobras:

- Os preços de combustíveis devem atender à paridade internacional com um sonoro não aos subsídios e à tentativa de exercício de poder de monopólio - afirmou. - A solidão da indústria do refino do petróleo nos incomoda. Como amantes da competição, gostaríamos de ter outrosplayers investindo em refinarias e competindo com a Petrobras.

O novo presidente da Petrobras indicou que pretende dar continuidade ao processo de venda de campos de petróleo em terra e em águas rasas, além de refinarias e outros ativos, como forma de reforçar a saúde financeira da estatal para investir no aumento da produção em campos de alta produtividade, como os do pré-sal. No entanto, a tarefa será um dos seus principais desafios no cargo. A empresa tem um plano de se desfazer de US$ 26,9 bilhões em negócios até 2023, mas enfrenta dificuldades. No ano passado, o STF proibiu a venda de subsidiárias de estatais sem aprovação do Congresso. Nos dois últimos anos, a estatal arrecadou US$ 8,3 bilhões com vendas.

- Se a Petrobras é dona natural de ativos em campos de águas profundas, isso é duvidoso para campos em terra e em refino. Esses ativos devem ser objeto de análise, com foco no desinvestimento. E esses recursos com a venda de ativos serão para abater dívidas e investir em outros campos de águas profundas. Ser estratégico é criar valor. Maus projetos trazem desesperança. Não seremos vendedores de ilusão - afirmou ele, que recebeu o crachá de presidente de Solange Guedes, diretora de Exploração da estatal, que exercia a presidência interinamente. O antecessor de Castello Branco, Ivan Monteiro, não compareceu.

Entre as primeiras decisões que Castello Branco terá de tomar está a recomposição da cúpula da estatal. Das sete diretorias da estatal, duas estão vagas desde 31 de dezembro: a de Refino e Gás, com a saída de Jorge Celestino, e a de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão, que era ocupada por Nelson Silva. Também houve baixas no Conselho de Administração. O presidente, Luiz Nelson Guedes de Carvalho, e o conselheiro Francisco Petros renunciaram em 1º de janeiro. Segundo fontes, as renúncias estão ligadas a divergências em relação ao estilo do novo presidente da estatal. Nesta quinta, Castello Branco afirmou que ainda não definiu seus diretores, mas que vai escolher nomes “comprometidos com a geração de valor”.

O almirante Bento disse que espera chegar nos próximos cem dias a um entendimento com a Petrobras sobre o valor a ser pago pelo excedente da cessão onerosa de até cinco bilhões de barris do pré-sal na Bacia de Santos, parte do processo de capitalização da empresa em 2010. Ele confirmou que a estatal deve ser indenizada por causa da queda no preço do petróleo após a declaração de comercialidade dos campos. Falta o valor. O fechamento do acordo é essencial para que o governo consiga realizar ainda este ano o megaleilão das áreas, que pode render cerca de R$ 100 bilhões.

— Vamos acelerar esse processo. Estamos discutindo a forma como esse pagamento será feito à Petrobras e o valor — disse o almirante.

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