SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

ÁREA RESTRITA

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Caminhos para o Estado do Rio de Janeiro

Estamos vivendo, possivelmente, a maior crise econômica que o país já passou desde a Proclamação da República. Os números são apavorantes. Mais de 13 milhões de desempregados e 28 milhões de subempregados. Perderam-se cerca de 10% do PIB per capita do país e já há a discussão se estamos céleres no caminho da depressão econômica. A recuperação, que parecia estar acontecendo, vem sendo desmentida por números quase diários. 
E o Estado do RJ, por conta de fatores estruturais e conjunturais, é um dos epicentros da crise. Aqui há mais de 1.3 milhão de desempregados. Os serviços públicos estão cada vez mais precários. Diariamente a imprensa mostra postos de saúde que não funcionam, falta de leitos em UTIs, escolas caindo aos pedaços, ruas esburacadas, túneis que desabam, etc. 
Os que habitam a cidade do Rio de Janeiro se deparam a cada esquina com lojas fechadas. A tradicional Rua da Carioca é um dos principais símbolos da degradação da economia. Quem por lá anda, e ama esta cidade, sai com dor no coração. O outrora vigoroso comércio deu lugar a uma rua quase que fantasma. 
É evidente que a crise do Rio decorre da crise do país. Tanto o Estado como a capital foram impactados, de forma inesperada e brutal, por uma impensável redução de recursos públicos. Mesmo levando em conta os problemas éticos ocorridos e a usual má gestão da área pública, seria praticamente impossível para qualquer gestor sustentar serviços públicos de qualidade com a queda de arrecadação que ocorreu. No caso do Estado do RJ, a preços de 2018, a arrecadação tributária foi reduzida de R$ 49,3 bilhões para R$ 33,9 bilhões! Uma perda de cerca de R$ 15 bilhões a preços de 2018, representando 31% de redução. E perderam-se 600.000 empregos formais, segundo o RAIS/CAGED, representando cerca de 25% do estoque. 
Na capital verifica-se tsunami semelhante. A receita de ISS reduziu-se de R$ 6,8 bilhões, em 2014, para R$ 5,4 bilhões em 2017. Uma perda de 21%. Perderam-se 350.000 empregos formais, representando cerca de 14% do estoque. 
Apesar da redução brutal da receita, os custos são praticamente incompressíveis, em particular o de pessoal ativo e o de aposentados, tornando o quadro mais crítico ainda. 
Não somos uma ilha. Fazemos parte do Brasil e dependemos do dinamismo econômico do país. Mas, não adianta apenas lamentarmos. O que se pode fazer no contexto do próprio Estado para ajudar a sair da crise é o grande desafio que se pretende abordar nas colunas vindouras. 

O DIA - OPINIÃO
Julio Bueno é engenheiro de produção e ex-secretário de Estado de Fazenda

 

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