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Brasil traça estratégia para ter isenção de sobretaxa do aço nos EUA

O governo brasileiro está reunindo argumentos para iniciar a negociação com os Estados Unidos para isentar exportações brasileiras da sobretaxa ao aço e ao alumínio no mercado americano. A preparação em Brasília e em Washington passa pela definição de diferentes estratégias: desde acenar com a oferta de acesso facilitado ao mercado brasileiro para alguns produtos americanos até listar os segmentos em que o Brasil é relevante para as exportações americanas, que seriam prejudicadas caso o país decida retaliar sem conseguir escapar da alíquota de 25% para o aço e de 10% para o alumínio, anunciadas na semana passada por Donald Trump. Os dados serão compilados em um estudo que servirá de base para os negociadores.
A argumentação principal será a de que o Brasil não ameaça a segurança nacional americana - pretexto usado por Trump - e nem faz parte do problema que o presidente americano quer atacar, mas sim o contrário. A ideia é frisar que o Brasil compra carvão americano para produzir aço e importa produtos manufaturados. Por isso, a balança de comércio do setor é favorável aos americanos. Além disso, o aço semi-acabado do Brasil favorece a siderurgia americana, tentarão convencer os emissários brasileiros. As indústrias dos dois países serão descritas como complementares.

O documento deve ser enviado até o fim da semana que vem. O prazo para a manifestação do governo brasileiro termina na sexta-feira da semana que vem.

Nessa estratégia, o apoio dos parceiros americanos, como siderúrgicas que compram placas brasileiras ou exportadores de carvão para as companhias no Brasil, é considerada fundamental. O Brasil não deve ser proativo e oferecer nenhum benefício no início da negociação. A orientação é aguardar as demandas do governo americano.

O governo só vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) após esgotar as tratativas bilaterais. Nesta segunda-feira, após se reunir com o presidente Michel Temer em Brasília, o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, negou que a organização tenha sido enfraquecida pela crise gerada pela sobretaxa americana e disse apostar numa solução sem "ações e reações":

— Acho que estamos em um primeiro momento dessa rodada de negociações, mas espero muito que esses entendimentos frutifiquem e que consigamos evitar uma situação de quiproquó — disse o diretor da OMC, acrescentando que retaliações poderão levar a uma guerra comercial "onde só há perdedores".

Com receio de perder espaço para Canadá e México, o Brasil quer ficar ao lado deles na lista de isentos da taxação. Mas o governo brasileiro estuda também as medidas que terá de tomar se não conseguir a isenção. Segundo uma fonte, as primeiras missões são "exploratórias" para saber o grau de liberdade de negociação. Assim, não há uma data prevista para uma conclusão ou alguma reunião definitiva marcada até agora.

É esperada também atuação forte do setor produtivo brasileiro, que contratou uma empresa americana de lobby para defender seus interesses em Washington. Apesar da cooperação, governo e empresários não estão totalmente satisfeitos com a estratégia. Enquanto representantes da indústria dizem que o governo demorou a agir na comparação com europeus e australianos, fontes do governo afirmam que, em outros países, os industriais tiveram um envolvimento maior no esforço de convencimento.

 

 

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