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Bolsonaro e Guedes defendem votar reforma de Temer logo

Os discursos sobre a reforma da Previdência do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, convergiram em pelo menos um ponto: ambos passaram o dia em Brasília e enfatizaram que gostariam de ver "alguma coisa" aprovada ainda neste ano. "Vamos conversar com Temer; gostaríamos que saísse alguma coisa [da reforma]", disse Bolsonaro. "E não é o que nós queremos ou o que a equipe econômica quer, mas o que a gente pode aprovar na Câmara ou no Senado", completou ele, que se reúne hoje com o presidente Michel Temer para tratar do tema.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que não foi reeleito, já disse repetidas vezes que a reforma deveria ser votada na próxima legislatura, pelos parlamentares eleitos. Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o próprio Temer fizeram acenos positivos. Maia chegou a dizer que é possível reinterpretar a proibição a votar propostas de emenda à Constituição durante a intervenção federal no Rio, mas admitiu que há outras dificuldades. "Se olhar o que se tentou com esse Parlamento e não se avançou, a maior probabilidade é essa [adiar para 2019]. Mas sempre tento, nesse tema, ser otimista."

Paulo Guedes, que se reuniu ontem com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, também defendeu a aprovação do projeto. "Aprova-se a reforma que está aí, rápido. Tira essa nuvem negra do horizonte. Nos dá tempo para o novo regime", afirmou Guedes, ressaltando que não desistiram da ideia da capitalização: "Precisamos trazer um sistema previdenciário diferente. É um crime para as futuras gerações continuar no sistema de repartição".

Segundo ele, é "absolutamente natural" que haja uma desconfiança, como no caso da implementação de um regime de previdência capitalizado, não só do presidente eleito como da classe política quando não se conhece o assunto. Para Guedes, seria ideal para o país se for aprovada a reforma da Previdência e a independência do Banco Central. "Já entraríamos com a perspectiva de a economia crescer de 3% a 3,5% e teríamos tempo para trabalhar as reformas estruturantes", disse.

O futuro ministro disse ainda que vem sendo feita sondagem com os parlamentares para verificar quais as chances de aprovação, neste ano, da proposta de reforma da Previdência que já está em discussão na Câmara. Caso seja constatado que não há espaço para aprovação do texto, o tema será transferido para o próximo ano e o governo de Bolsonaro encaminhará proposta nova.

Segundo Guedes, o peso maior da decisão é do próprio Congresso. "Não podemos transformar um homem que venceu nas urnas em um homem que vai ser derrotado no Congresso antes mesmo de o governo começar", frisou. Segundo ele, os parlamentares reeleitos entrariam votando medidas positivas, e quem não foi eleito iria para casa com a sensação de dever cumprido, sem "toma lá dá cá".

"Na minha cabeça hoje tem Previdência, Previdência, Previdência. Por favor, classe política, nos ajude a aprovar a Previdência", apelou. "A bola está com eles [Congresso]. Se você perguntar para o futuro ministro, ele está falando o seguinte: prensa neles. Pede a reforma. É bom para quem está saindo e bom para quem está chegando", disse.

Para Guedes, se houver avanço na reforma neste ano "abre-se (em 2019) um novo governo só com notícias positivas" como simplificação e redução de impostos, criação de emprego e ritmo de abertura gradual da economia brasileira. "Ninguém vai abrir a economia brasileira de repente com esses impostos todos aí, juros altos e desproteger a nossa indústria", disse, sugerindo que o país deve buscar fazer uma reforma tributária antes: "Não posso soltar competição estrangeira dentro do Brasil antes de simplificar e reduzir impostos".

Segundo ele, deve-se começar "atirando" nos grandes gastos - liderados por aposentadorias e pensões. "Segundo grande gasto é o juro da dívida. Vamos acelerar privatizações e transformar o Estado. Na hora que acelerarmos privatizações, e liberar recursos em vez de pagar juros da dívida, esses recursos serão usados para fazer a reforma fiscal e descentralizar recursos para Estados e municípios." Para Guedes, a descentralização dos recursos para entes subnacionais fará o dinheiro ir para "onde o povo está".

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