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Bolsonaro ataca governadores e pede ‘volta à normalidade’

O presidente Jair Bolsonaro voltou a falar ontem em “pânico” e “histeria” sobre o combate à epidemia do coronavírus no Brasil, em postura criticada no início da crise, e retomou os ataques aos governadores, num momento em que busca afinar a relação com os gestores estaduais. Em um duro pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, ele defendeu o retorno à normalidade, criticou medidas de isolamento e assegurou que a crise passará “em breve”.

O Valor apurou que o texto não foi discutido com nenhum ministro palaciano e foi na contramão de uma tentativa de auxiliares de preservar a imagem presidencial, arranhada pela condução controvertida da crise. O tom adotado no pronunciamento foi discutido com o chamado “gabinete do ódio”, composto por aliados do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

O presidente retomou termos como “pânico” e “histeria” para se referir à pandemia da covid-19, e voltou a criticar os governadores: “Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada.”

Sem defender as ações de isolamento, ressaltou que “a vida tem que continuar, os empregos devem ser mantidos e o sustento da família preservado”. Criticou o fechamento de escolas, alegando que “a maior parte das vítimas tem mais de 60 anos”.

Durante o pronunciamento, houve nova rodada de panelaços em várias capitais. Bolsonaro permitiu-se uma dose de ironia, ao afirmar que se tivesse sido contaminado, não teria que se preocupar devido ao seu “histórico de atleta”.

A manifestação que não ajuda no diálogo com os governadores ocorreu num dia dramático, em que circularam rumores da saída do ministro Paulo Guedes. Bolsonaro foi às redes defender o ministro. “Mais que um posto Ipiranga, um amigo, um irmão para as horas difíceis”, registrou o presidente em sua conta no Facebook, postando uma foto em que aparecem lado a lado fazendo sinal de “positivo”.

Guedes participou ontem das teleconferências com os governadores das Regiões Sul e Centro-Oeste, ao lado dos ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e do vice-presidente Hamilton Mourão. Hoje Bolsonaro finaliza a rodada com os governadores da Região Sudeste.

Na conversa com os governadores do Sul, Guedes afirmou que o ajuste fiscal, a redução do comprometimento da receita com juros da dívida e a aprovação de reformas contribuíram para que a União tenha hoje mais condições de direcionar recursos para o combate da crise, relatou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).

O tucano considerou “insuficiente” o pacote de R$ 88,2 bilhões anunciado na segunda-feira para socorrer os Estados nas crises de saúde e econômica e apresentou uma relação de propostas, como: a expansão da suspensão do pagamento das dívidas dos Estados com a União e de empréstimos contraídos com organismos internacionais; suspensão do pagamento de precatórios; e a suspensão de pagamento de impostos federais, como PIS/Pasep e contribuições ao INSS.

Segundo Leite, a suspensão temporária do pagamento da dívida do Estado com a União não muda a realidade, pois o Rio Grande do Sul já não vem pagando as parcelas, amparado em uma decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF).

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), pediu que o governo esclareça os critérios de distribuição dos R$ 8 bilhões que serão destinados aos entes federados exclusivamente para ações na área de saúde. Segundo Ratinho Júnior, o governo teria feito um aceno positivo ao pleito de prorrogação do prazo para quitação das dívidas de precatórios. No ano passado, o Paraná pagou R$ 1,7 bilhão em dívidas de precatório.

Já os governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), ressaltaram que as medidas de recomposição dos fundos, como o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Fundo de Participação dos Municípios (FPM), atendem os Estados do Norte e Nordeste, mas não os da região central.

Rocha e Caiado pleitearam uma compensação ao governo federal pela queda de arrecadação no ICMS. Caiado disse que esse valor pode chegar a R$ 4,6 bilhões até dezembro.

Ibaneis disse ao Valor que Bolsonaro autorizou no encontro que o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia a fazer junto aos secretários de Fazenda dos Estados “um encaminhamento dessa questão”.

Outra demanda foi a aprovação de medidas que tramitam no Congresso, o pacto federativo e o Plano Mansueto, que implementa um novo programa de auxílio financeiro a Estados e municípios.

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