SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

ÁREA RESTRITA

|

Alta do petróleo anima mercado local

Volatilidade foi o nome do jogo nos mercados locais durante a sessão de ontem. As preocupações sobre o aumento de casos de covid-19 pelo mundo e as incertezas sobre a disputa pelo Senado dos Estados Unidos derrubaram a bolsa e impulsionaram o dólar logo no começo do pregão. Mas o humor virou, de maneira significativa, com a disparada nos preços de petróleo, após decisão da Opep+ em restringir a oferta da commodity.

O dólar saiu da marca de R$ 5,35 no pior momento do dia e fechou aos R$ 5,2603, queda de 0,16%. O alívio foi semelhante ao de outros emergentes sensíveis a variações nos preços de commodities, como rublo russo e peso mexicano.

Em caminho igualmente tortuoso, o Ibovespa chegou a perder a marca de 117 mil pontos, mas encontrou espaço para reagir em um movimento sustentado pelas ações da Petrobras. O índice terminou o dia em alta de 0,44%, aos 119.376 pontos, com giro financeiro de R$ 24,085 bilhões.

De fato, o destaque do pregão foram os papéis da estatal. A ação ordinária da Petrobras subiu 3,05%, enquanto a preferencial ganhou 3,91% diante da disparada nos preços do petróleo no mercado internacional. Com isso, voltaram para o patamar de R$ 30, nas máximas desde fevereiro de 2020.

O gatilho veio do acordo firmado entre a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e seus aliados para manter os atuais níveis de cortes de produção inalterados a partir de fevereiro. O fato, somado à inesperada iniciativa da Arábia Saudita de cortar sua produção em 1 milhão de barris por dia em fevereiro provocou forte alta nos preços de petróleo. O barril do Brent para março subiu 4,91%, cotado a US$ 53,60. O WTI fechou em US$ 49,93, alta de 4,85%

No entanto, apesar dessa injeção de ânimo, ainda restam dúvidas sobre a disputa na Geórgia por duas vagas no Senado dos EUA e sobre as consequências das novas ondas de covid-19 pelo mundo. Por aqui, há também a sucessão de lideranças no Congressos e seus efeitos na agenda de reformas.

Para Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de renda variável e derivativos do BTG Pactual digital, o mercado ainda está sujeito a sustos vindos da pandemia da covid-19 - a exemplo das medidas de distanciamento social na Europa -, mas ainda há interesse do estrangeiro por ativos locais.

“No pior momento de pânico na pandemia, houve uma injeção de estímulo muito forte no mundo, tanto fiscal como monetário. Por isso, apesar dos sustos e incertezas, os emergentes ainda devem continuar atraindo fluxo. Sobra capital e há excesso de liquidez. Isso vai fluir para commodities, como petróleo e minério de ferro. E a gente vai se beneficiar por nossa característica econômica”, diz Zanlorenzi.

Em dezembro, o fluxo para o segmento secundário da B3 (ações já listadas) foi positivo em R$ 19,744 bilhões - o segundo maior aporte mensal de toda a série histórica iniciada em 1996 pelo Valor Data.

A forte entrada de recursos nos dois últimos meses do ano amenizou o saldo negativo acumulado em 2020. A saída no ano ficou em R$ 31,819 bilhões, em um resultado mais contido que a debandada de R$ 44,517 bilhões acumulada em 2019. Vale dizer, inclusive, que nos momentos de maior fuga de capitais no ano, o déficit chegou a atingir R$ 89 bilhões.

Ao considerar o mercado primário (IPOs e follow-ons), com entrada de R$ 19,612 bilhões até setembro, o fluxo externo na bolsa ficou negativo em R$ 12,207 bilhões em 2020, de acordo com a B3.

No caminho contrário, os investidores pessoa física retiraram capital da bolsa nos dois últimos meses, mas acumularam aporte expressivo no ano. Em dezembro, o saldo ficou negativo em R$ 3,822 bilhões. Mas, no total do ano, o superávit chegou a R$ 51,045 bilhões. Já o investidor institucional retirou R$ 14,011 bilhões em dezembro, contribuindo para o saldo negativo de R$ 12,107 bilhões no ano.

Para o economista do BTG Pactual digital, o movimento de pessoas físicas no fim do ano se deve a uma realização de lucros. “Foi um ano de muita volatilidade e muitos investidores passaram por isso pela primeira vez. Por isso, resolveram tirar o pé do freio no fim do ano quando garantiram um bom retorno. Mas ainda tem muito espaço para entrar”, acrescenta.

Fontes de Notícias :