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Candidatos fazem campanha no Rio, à espera do debate

Eleições: Dilma vai a feira em São Cristóvão, Serra dá entrevista no aeroporto e Marina passeia em Copacabana

Marina Silva, do PV, e Dilma Rousseff, do PT, aproveitaram a viagem ao Rio de Janeiro onde participaram do debate na TV Record para fazer campanha na cidade. Dilma chegou no sábado e no mesmo dia à tarde fez uma visita ao Complexo Rubem Braga, um elevador panorâmico que liga o morro do Cantagalo com a estação de metrô Ipanema-General Osório. Sempre acompanhada do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e do candidato do PT ao Senado, Lindberg Faria, Dilma deu uma rápida entrevista à imprensa e subiu ao mirante do complexo, a mais de 60 metros.

No domingo, a candidata do PT foi à feira de São Cristóvão, um movimentado centro de tradições nordestinas. Ao contrário da visita ao morro Cantagalo, que foi bastante tranquila, na feira houve um início de tumulto de pessoas que queriam se aproximar para cumprimentar a candidata e não conseguiam.

Em sua entrevista no sábado, Dilma frisou a parceria do governo federal com o estadual e a Prefeitura do Rio. E se atrapalhou um pouco ao falar dos dados da pobreza no Brasil. "Agora nós usamos uma outra: a esperança e o amor pelo povo brasileiro, expresso no fato de 38 milhões de pessoas saírem da pobreza... aliás, chegaram às classes médias 28 milhões... desculpa gente 36 chegaram à classe média e 28 saíram da pobreza... mostra que esse é um país pacificado". No domingo ela focou seu breve discurso na manutenção da política cultural.

Dilma recusou-se a responder a perguntas dos jornalistas sobre as denúncias do empresário Rubnei Quícoli, de Campinas, de que o suposto esquema de tráfico de influência na Casa Civil incluía duas contas bancárias em Hong Kong, para onde deveria enviar dinheiro de propina.

O tucano José Serra só chegou ao Rio no fim da tarde, com mais de duas horas de atraso em relação ao horário divulgado por sua assessoria. A programação inicial do candidato do PSDB incluía uma visita à Livraria da Travessa, em Ipanema. Mas o voo atrasou por causa do mau tempo e Serra cancelou a ida à livraria. Em uma entrevista no saguão do aeroporto Santos Dumont, o tucano demonstrou certa irritação quando uma jornalista portuguesa perguntou o que achava da afirmação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao jornal inglês "Financial Times", que teria reconhecido a vitória de Dilma e criticando a oposição, ou seja, seu próprio partido, o PSDB, por ter permitido uma "mitificação" de Lula. "Não foi bem assim", respondeu Serra à jornalista que retrucou: "Não? Então o que foi?" "Pergunta a ele", rebateu Serra.

É a segunda vez que FHC faz um comentário de reconhecimento de derrota e uma crítica ao partido no exterior, próximo às eleições presidenciais. Em setembro de 2002, quando Lula disputava com Serra, o jornal "Clarín" noticiou que FHC havia dito ao presidente argentino da época Eduardo Duhalde, que Lula venceria o pleito daquele ano e que Serra perderia porque falta de "carisma".

Serra criticou os ataques do governo à imprensa. "Não há país democrático sem imprensa livre, e a imprensa no Brasil tem sido assediada, a liberdade de imprensa tem sido atacada, todos nós não apenas os jornais, todos nós que somos democratas temos que defender a liberdade de imprensa."
O candidato do PSDB também comentou o editorial do jornal "O Estado de S. Paulo" que declarou voto nele. "Quanto ao editorial só tenho a agradecer o reconhecimento pelo meu trabalho na vida pública. Isso é o editorial, a opinião do jornal, embora o noticiário seja equilibrado como deve ser. Creio que eles tomaram essa decisão, e eu só devo dizer que fiquei muito orgulhoso, muito satisfeito por merecer apoio de pessoas de um modo tão responsável quanto este", afirmou.

Já Marina passeou pelo bairro de Copacabana onde cumprimentou eleitores e fez um sinal ao PT, dizendo que o partido teria uma "parte boa" que é "maioria" e seria chamada para governar com ela, caso ela vencesse as eleições. "Eu estou chamando a parte boa do PT, que é maioria, para governar comigo. Essa aliança pode começar agora, para que a gente possa ter um segundo turno em que as candidaturas tenham tempo igual e possam debater o Brasil que interessa."

O debate de ontem marcou o início da última semana de campanha. Segundo as três últimas pesquisas - Datafolha, divulgada na quarta-feira; Vox Populi/Band/iG, na quinta-feira; e Ibope, na sexta-feira -, apesar da variações, a eleição ainda pode acabar no primeiro turno. No primeiro levantamento, a diferença entre Dilma e a soma de seus adversários caiu de 12 para 7 pontos percentuais. Na Vox/Band/iG, de 18 para 16 pontos percentuais. E no Ibope, a vantagem foi reduzida de 14 para 9 pontos.

Nesta semana, os três principais candidatos focam suas campanhas nos grandes centros e no debate a ser realizado pela TV Globo na quinta-feira. Dilma realiza um comício hoje à noite no sambódromo, em São Paulo; Serra centra esforços no Rio - onde está em empate técnico com Marina Silva (PV) e planeja comício na Mooca, bairro onde nasceu na zona leste de São Paulo. Marina, segundo o coordenador nacional de sua campanha, João Paulo Capobianco, terá eventos na Grande São Paulo (Diadema e Guarulhos), Minas Gerais (Belo Horizonte) e região Norte (Belém).
 

27/09/2010

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