SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

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Cabral, Gabeira, Jefferson Moura e Peregrino participam de debate na TV Record

Assim como havia acontecido no debate da RedeTV!, na semana passada, o governador e candidato à reeleição Sérgio Cabral (PMDB) foi o grande alvo de seus três adversários - Fernando Gabeira (PV), Fernando Peregrino (PR) e Jefferson Moura (PSOL) - durante o debate realizado pela Record na noite desta segunda-feira. A menos de duas semanas da eleição, os oposicionistas centraram os ataques em Cabral, que, segundo pesquisas de intenções de voto, é favorito para ganhar as eleições já no primeiro turno.

O primeiro bloco foi quase todo de acusações contra Sérgio Cabral, e poucas propostas foram discutidas. Os três candidatos de oposição a Cabral fizeram referências a denúncias de superfaturamento na compra de remédios pela secretaria estadual de Saúde. Citando os gastos de R$ 500 milhões em publicidade durante o governo Cabral, Peregrino fez alusão à morte do menino Fábio de Souza do Nascimento, de 14 anos, que estava à espera de um balão de oxigênio. Em sua resposta, Cabral defendeu sua gestão e criticou o casal Garotinho, que apóia Peregrino:

- É lamentável usar o caso do menino Fábio neste debate. Percentualmente, meu gasto de publicidade é menor do que o que foi gasto nos governos do casal Garotinho. O valor absoluto é maior porque o estado aumentou a arrecadação, mesmo depois de ficar 18 anos sem concurso para auditor fiscal. Quanto à saúde, havia, quando eu assumi, a prática de dispensa de licitação em 46% das compras da secretaria de Saúde. Neste último ano, foram só 4% das compras com dispensa de licitação. Há 20 anos não se comprava um tomógrafo. Hoje há um tomógrafo móvel. Abrimos 43 UPAs, e hoje o Brasil inteiro copia nosso modelo - afirmou Cabral.

Em uma pergunta sobre os doadores de campanha de Cabral, Jéfferson Moura afirmou que sua sogra recebeu em casa, pelo correio, um documento chamado "cartão de crédito eleitoral" que pediria voto a candidatos do PMDB, incluindo Cabral, que respondeu negando que sua campanha tenha produzido tal documento. O governador afirmou ainda que "em toda a minha vida pública jamais tive problema com a Justiça, eleitoral ou não eleitoral".

No segundo bloco, com perguntas dos jornalistas, outros temas entraram em discussão. Respondendo a uma pergunta de um jornalista da Record sobre seus planos para o interior, Fernando Gabeira (PV) falou sobre turismo:
- Teremos nas Olimpíadas uma grande oportunidade para o turismo. Não quero que fique concentrado apenas no Rio, queremos explorar o turismo em todo o estado. E além disso, quero atender as especifidades de cada região, com uma espécie de um subgovernador em cada uma delas, aproximando o contato com o governo.

Em seguida, outro jornalista perguntou a Cabral sobre segurança. O governador reiterou a promessa de levar UPPs a NIterói, São Gonçalo e à Baixada. Jefferson Moura (PSOL) defendeu a ampliação dos investimentos na área social - citando como exemplo a educação - e o aumento do salário de policiais como medidas para melhorar a segurança no Rio.
Perguntado sobre educação, Fernando Peregrino (PR) prometeu aumentar o piso salarial dos professores estaduais para R$ 3 mil, mas não disse de onde viriam os recursos. Voltando a discorrer sobre saúde, Gabeira disse que as UPAs "são um bom espaço, mas faltam os jogadores", em referência à falta de medicos. Cabral prometeu contratar mais pediatras.

Ao falar sobre transportes, Fernando Gabeira prometeu levar barcas até São Gonçalo. E criticou a falta de fiscalização dos serviços prestados pela Supervia e pelo metrô. Em seu comentário, Cabral afirmou que até 2014 todos os trens terão ar condicionado e que diminuirá à metade o tempo de espera no metrô e nos trens. O candidato do PMDB prometeu ainda construir uma estação de barcas em São Gonçalo.
Nas considerações finais, Cabral prometeu deixar um grande legado até 2014, com melhorias na saúde, educação e transportes, lembrou que lidera as pesquisas e pediu votos para Dilma Roussef (PT) à presidência e para Lindberg Farias (PT) e Jorge Picciani (PMDB) ao Senado. Fernando Peregrino prometeu horário integral para os alunos da rede pública, disse que fará melhorias no serviços de vans e contratará mais médicos, na saúde.
Jefferson Moura usou sua fala final para pedir votos também para outros candidatos do PSOL. E Fernando Gabeira encerrou o debate pedindo ao eleitorado que leve a campanha para o segundo turno, tanto na campanha para presidente quanto para o governo estadual.

Adversários acusam Cabral de fugir de perguntas
Depois do debate, os candidatos ao governo do Rio Fernando Gabeira (PV), Fernando Peregrino (PR) e Jefferson Moura (PSOL) acusaram o governador Sérgio Cabral, que tenta a reeleição pelo PMDB, de fugir dos questionamentos feitos por eles. Cabral, por sua vez, lamentou as críticas dos adversários e disse que eles perderam a oportunidade de mostrar propostas.
- Ele (Cabral) tem esse estilo de evitar as perguntas e esse modo tabajara de apresentar as questões - afirmou Gabeira, recorrendo à mesma expressão utilizada por ele no debate da Rede TV!.
O candidato do PV disse ainda que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) que o puniu por ter exibido em seu programa eleitoral um vídeo no qual Cabral chama um jovem de "otário", durante visita ao complexo de Manguinhos, na Zona Norte do Rio.

- Vamos lutar até o final - disse ele, alegando que os eleitores sabem discernir sobre a edição das imagens.
Peregrino também não poupou o governador e declarou que, se houvesse mais tempo de debate, os mitos de Cabral "se desmontariam":
- Ele cita números e as realizações, mas todas elas são absolutamente desmontáveis.
Assim como Peregrino e Gabeira, o candidato do PSOL apontou a mira para Cabral. Jefferson Moura mostrou à imprensa o cartão, ao qual se referiu durante o debate, que sua sogra teria recebido em casa.

Imitando um cartão de crédito, a peça apresenta o nome do eleitor, a identificação e os números de candidatos a deputado federal, senador e presidente da coligação de Cabral. No entanto, o candidato estadual, cujo nome está no cartão, é do PR, que não faz parte da aliança do governador. Na peça, há também mensagens como "o limite do cartão será do tamanho do país que você quer".
- É um produto que passa para o eleitor a ideia de que o voto tem preço - disse Jefferson Moura, que já avisou que entrará com representação junto ao TRE-RJ para apurar possíveis irregularidades presentes nesta forma de propaganda.
Durante o debate, Cabral disse desconhecer este tipo de propaganda em seu nome.
O governador declarou ainda que lamenta que seus adversários o ataquem, sem discutir propostas.
- Eles perderam a oportunidade - disse Cabral, afirmando que houve discussão de propostas somente de sua parte.
 

21/09/2010

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